Um paciente do sexo masculino, obeso, com 15 anos de idade, apresentava episódios recorrentes com duração de 8 a 10 dias, nos quais ele dormia quase continuamente ao longo do dia e da noite, acordando apenas para se alimentar e ir ao banheiro. Sua mãe relatava que, durante esses episódios, ele estava irritado e nervoso. Entre os episódios, era um adolescente normal. Na situação hipotética apresentada, o diagnóstico mais provável para o paciente em questão é
- A)hipersonia idiopática.
Errada, porque a hipersonia idiopática causa sonolência excessiva mais contínua, e não crises episódicas de vários dias com retorno ao normal entre elas.
- B)narcolepsia.
Errada, porque a narcolepsia costuma cursar com ataques de sono, cataplexia e outros fenômenos do sono REM, sem o padrão clássico de episódios prolongados de hipersonia intensa.
- C)síndrome de Klein-Levin.
Certa, porque a síndrome de Kleine-Levin causa episódios recorrentes de hipersonia em adolescentes, com irritabilidade e normalidade entre as crises.
- D)síndrome de retardo de fase do sono.
Errada, porque a síndrome de retardo de fase do sono é um distúrbio do horário do sono, com atraso para dormir e acordar, e não crises de sonolência extrema por dias.
- E)síndrome de apneia obstrutiva do sono.
Errada, porque a apneia obstrutiva do sono costuma dar roncos, apneias e sonolência diurna persistente, não episódios intermitentes com comportamento alterado e regressão completa entre eles.
Gabarito: C
O quadro descreve uma hipersonia recorrente em crises, com início na adolescência, episódios que duram dias e o paciente fica praticamente “desligado” o tempo todo, acordando só para comer e ir ao banheiro. Entre as crises, ele volta ao normal, o que afasta sonolência crônica contínua e aponta para um transtorno episódico do sono. Isso é bem típico da síndrome de Kleine-Levin, conhecida como a “síndrome da bela adormecida”. Ela costuma aparecer em adolescentes, sobretudo do sexo masculino, e se manifesta por episódios de hipersonia intensa, associados a irritabilidade, alterações comportamentais, hiperfagia e às vezes desinibição. A pessoa fica estranha durante as crises, mas retorna ao basal depois, como se nada tivesse acontecido. Esse detalhe da normalidade entre os episódios é a pista de ouro. Narcolepsia costuma dar ataques de sono, cataplexia e outros sinais de fragmentação do sono, mas não costuma gerar crises de vários dias de sono quase contínuo com comportamento irritado e retorno completo ao normal. Hipersonia idiopática, por sua vez, é mais persistente e não tão em “episódios”, e a apneia obstrutiva do sono teria roncos, pausas respiratórias e sonolência mais constante. Então, o gabarito C está correto porque o enunciado descreve exatamente uma síndrome hipersônica episódica, em adolescente, com longos períodos de sono e alteração comportamental durante as crises, seguida de normalidade entre os surtos.