A estruturação dos sistemas estaduais de urgência e emergência que envolve toda a rede assistencial, como unidades básicas de saúde, programa de saúde da família (PSF), ambulatórios especializados, serviços de diagnóstico e terapias, unidades não hospitalares, serviços de atendimento pré-hospitalar móvel (SAMU, resgate, ambulâncias do setor privado etc.) até a rede hospitalar de alta complexidade, deve relacionar-se de forma complementar, por meio de mecanismos organizados e regulados de
- A)demanda e complexidade.
Errada, porque a rede de urgência não se organiza por demanda e complexidade como mecanismo de relacionamento entre os serviços, mas por fluxos regulados de encaminhamento.
- B)ordem cronológica de ingresso do paciente no sistema.
Errada, porque a ordem cronológica de ingresso no sistema não define a articulação entre os pontos de atenção e pode até contrariar a prioridade clínica.
- C)referência e contrarreferência.
Certa, porque a integração da rede assistencial ocorre por referência e contrarreferência, permitindo encaminhamento e retorno organizado entre os níveis de atenção.
- D)localização (municipal ou estadual).
Errada, porque a divisão municipal ou estadual não é o critério de ligação funcional da rede; o que importa é a coordenação do cuidado entre serviços.
- E)abrangência populacional.
Errada, porque abrangência populacional diz respeito ao território ou à população adscrita, e não ao mecanismo de articulação entre os serviços de urgência e emergência.
Gabarito: C
Na organização das urgências e emergências, a ideia central não é cada serviço agir como uma ilha. Pelo contrário: a rede precisa funcionar como um fluxo, em que a unidade básica, o PSF, o SAMU, os serviços especializados e o hospital se comunicam e se encaminham de forma coordenada. Isso evita atraso, retrabalho e aquele famoso "vai e volta" do paciente entre portas de entrada diferentes. É exatamente por isso que o enunciado fala em mecanismos organizados e regulados de referência e contrarreferência. A referência ocorre quando o paciente é encaminhado para um serviço de maior complexidade, e a contrarreferência acontece quando ele retorna com orientações para continuidade do cuidado na unidade de origem. Esse vai e vem, quando bem regulado, dá lógica ao sistema e melhora o acesso. No SUS, essa lógica é compatível com os princípios da regionalização, hierarquização e integralidade da assistência, previstos na Lei nº 8.080/1990. Em urgência e emergência, isso é ainda mais importante porque o tempo conta muito, mas o percurso do paciente também precisa ser inteligente. Se a rede não se conversa, o atendimento vira improviso de corredor. Portanto, o gabarito é a letra C, porque a articulação entre os níveis de atenção deve ocorrer por referência e contrarreferência, e não por critérios soltos como ordem de chegada ou simples localização administrativa.