Uma paciente do sexo feminino, com 36 anos de idade, queixava-se de fadiga e sonolência durante o dia. Ela relatou que, quando ia para a cama para descansar e dormir, sentia uma sensação “anormal” nas pernas, descrita como “agonia”, que estava associada a uma vontade irresistível de mover as pernas. Relatou sensação de alívio ao movimentar as pernas. No quadro clínico hipotético descrito, o diagnóstico mais provável é o de
- A)transtorno da insônia crônica.
Errada, porque insônia crônica não explica a sensação desagradável nas pernas nem o alívio típico com o movimento.
- B)transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Errada, pois TDAH não costuma causar esse padrão sensitivo-motor noturno nas pernas.
- C)transtorno de ansiedade generalizada.
Errada, já que ansiedade pode piorar o sono, mas não gera esse desejo irresistível de mover as pernas com alívio ao andar.
- D)movimentos periódicos dos membros no sono.
Errada, porque movimentos periódicos dos membros no sono são movimentos involuntários durante o sono, sem a sensação de agonia e a necessidade consciente de mover as pernas.
- E)síndrome das pernas inquietas (SPI).
Certa, pois o quadro é clássico de síndrome das pernas inquietas: piora em repouso, alívio com movimento e desconforto predominando à noite.
Gabarito: E
O quadro descreve de forma bem clássica a síndrome das pernas inquietas, também chamada de doença de Willis-Ekbom. O ponto-chave é a sensação desconfortável nas pernas, pior ao deitar ou em repouso, com vontade irresistível de mexê-las, e melhora ao movimentar. Parece até que a perna “não aceita” ficar parada. Esse padrão é o que diferencia a síndrome das pernas inquietas de um simples cansaço ou de insônia comum. A paciente pode até reclamar de sono ruim e fadiga durante o dia, mas isso é consequência do desconforto noturno e da fragmentação do sono. Em geral, os sintomas pioram no período noturno e ao repouso, e aliviam com o movimento. Nos livros de neurologia e medicina do sono, os critérios clínicos mais lembrados são: desejo de mover as pernas, início ou piora com repouso, alívio com movimento e piora à noite. Não precisa de exame sofisticado para suspeitar do diagnóstico quando a história vem tão típica assim. É quase o enunciado gritando a resposta. Por isso, o gabarito é a síndrome das pernas inquietas. As outras alternativas tentam distrair com sintomas inespecíficos como fadiga, sonolência e queixa de sono, mas nenhuma explica tão bem a combinação de agonia nas pernas + melhora ao movimentar.