Criança submetida a apendicectomia há uma semana apresentou dor abdominal e febre (Tax = 38,3 o C). A ultrassonografia abdominal revelou abscesso no quadrante inferior direito. Em relação ao quadro clínico apresentado, assinale a opção que apresenta o patógeno que causou a formação do abscesso abdominal na criança.
- A)S. pneumoniae
Errada, porque Streptococcus pneumoniae é mais lembrado em pneumonia, otite e meningite, não como causa típica de abscesso abdominal pós-apendicectomia.
- B)S. aureus
Errada, porque Staphylococcus aureus é clássico de pele, tecidos moles e algumas infecções hospitalares, mas não é o agente mais associado a abscesso intra-abdominal após apendicectomia.
- C)C. tetani
Errada, porque Clostridium tetani causa tétano, com rigidez e espasmos, e não abscesso abdominal.
- D)Bacteroides fragilis
Certa, porque Bacteroides fragilis é anaeróbio da flora intestinal e causa muito bem abscessos intra-abdominais, especialmente após apendicite ou cirurgia abdominal.
- E)P. aeruginosa
Errada, porque Pseudomonas aeruginosa aparece mais em infecções hospitalares, queimaduras e imunossupressão, não sendo a causa clássica desse quadro.
Gabarito: D
Depois de uma apendicectomia, se a criança evolui com dor abdominal, febre e abscesso no quadrante inferior direito, o raciocínio mais provável é de infecção pós-operatória por flora intestinal. Em cirurgia abdominal, especialmente quando há contaminação do apêndice, os bichinhos que mais gostam de causar confusão são os anaeróbios do intestino. O principal nome aqui é o Bacteroides fragilis, um bacilo anaeróbio gram-negativo que faz parte da microbiota colônica e tem forte associação com abscessos intra-abdominais e infecções pós-apendicectomia. Ele adora ambientes com pouco oxigênio, como coleções purulentas no abdome, e por isso aparece muito nesses quadros. Por isso o gabarito é a letra D. Não é um agente “clássico de garganta”, nem de pele, nem de tétano, nem de infecção hospitalar por Pseudomonas. O cenário clínico manda olhar para flora entérica anaeróbia, e aí o Bacteroides fragilis costuma ser o protagonista. Na prática, essa é uma associação bem cobrada: abscesso abdominal após apendicite ou cirurgia de cólon = pensar em anaeróbios intestinais, muitas vezes em infecção mista. Então, quando o enunciado fala em abscesso no quadrante inferior direito depois da cirurgia, ele quase está piscando para você marcar a flora do intestino grosso.