Assinale a opção correta em relação ao tratamento do câncer de reto.
- A)O tratamento adjuvante com radioterapia pode ser administrado antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor e facilitar a ressecção.
Errada: radioterapia antes da cirurgia pode ser neoadjuvante para reduzir o tumor, não adjuvante.
- B)No tratamento neoadjuvante após a cirurgia, a radioterapia pode ser administrada para reduzir o risco de recorrência.
Errada: tratamento neoadjuvante ocorre antes da cirurgia; após a cirurgia, o termo correto é adjuvante.
- C)A ressecção local deve ser realizada em casos de câncer em estágio inicial.
Certa: em câncer de reto em estágio inicial e bem selecionado, a ressecção local pode ser indicada.
- D)O uso da imunoterapia tem caído em desuso como opção terapêutica.
Errada: a imunoterapia não caiu em desuso; ela tem papel em subgrupos específicos, como tumores com instabilidade de microssatélites.
- E)Em alguns casos, especialmente quando a cirurgia não é uma opção, a radioterapia também não pode ser usada como tratamento definitivo.
Errada: a radioterapia pode ser usada como tratamento neoadjuvante, adjuvante ou até paliativo em casos selecionados, inclusive quando a cirurgia não é possível.
Gabarito: C
No câncer de reto, o tratamento depende muito do estágio e da localização do tumor. Em geral, quando a doença é mais avançada, a estratégia costuma combinar cirurgia com quimio e radioterapia, muitas vezes usando a radioquimioterapia antes da operação para diminuir o tumor e aumentar a chance de ressecção com boa margem. Ou seja, o raciocínio é: antes de cortar, às vezes vale primeiro encolher a lesão. Já nos casos bem iniciais, selecionados e de pequeno volume, a ressecção local pode ser uma opção. Isso acontece porque alguns tumores restritos à parede do reto, sem sinais de invasão profunda ou linfonodos comprometidos, podem ser tratados com abordagem menos agressiva, preservando mais função intestinal. É exatamente por isso que a alternativa C está correta: câncer em estágio inicial pode, em casos selecionados, ser tratado com ressecção local. Na prática, porém, isso não é para qualquer tumor. Se houver maior risco de doença residual, invasão linfonodal ou tumor mais avançado, a ressecção local isolada deixa de ser suficiente e a cirurgia radical com tratamento neoadjuvante ganha espaço. Em outras palavras, o reto não aceita improviso: o estádio manda no jogo. As diretrizes oncológicas e cirúrgicas atuais seguem essa lógica de tratamento multimodal, com destaque para a radioquimioterapia neoadjuvante em doença localmente avançada e para a seleção cuidadosa dos casos iniciais candidatos a ressecção local. Portanto, a banca cobrou um conceito clássico e muito importante: estágio inicial pode abrir a porta para tratamento menos agressivo.