Um paciente do sexo masculino, 33 anos de idade, com infecção por hepatite B descoberta há mais de 6 meses, foi encaminhado ao consultório médico. Levou consigo os seguintes resultados de exames recentes: ALT = 78 g/dL; AST = 62 g/dL; HBV-DNA = 134.000 UI/mL; HBeAg positivo. A ecografia de abdome resultou normal e a elastografia hepática estimou a fibrose em grau 1 de METAVIR. Os resultados dos demais exames laboratoriais (bioquímica e hemograma) estavam normais. O paciente não tem nenhuma comorbidade. Nesse caso clínico, a infecção está na fase
- A)imunorreativa, sendo imprescindível realizar biópsia hepática para decidir sobre o tratamento.
Errada, porque o quadro já sugere fase imunorreativa e a decisão terapêutica não depende obrigatoriamente de biópsia hepática quando os dados clínicos e não invasivos já são suficientes.
- B)de portador inativo, não sendo necessário iniciar tratamento.
Errada, pois portador inativo costuma ter HBeAg negativo, HBV-DNA baixo e transaminases normais, o que não é o caso.
- C)de imunotolerância, sendo desnecessário iniciar tratamento, pois o grau de fibrose foi estimado em F1, assim basta o acompanhamento periódico.
Errada, porque imunotolerância exige transaminases normais e replicação viral alta, e aqui a ALT está elevada; além disso, F1 não define sozinho a fase da infecção.
- D)imunorreativa, devendo-se iniciar tratamento com interferon peguilado, caso não haja contraindicações à medicação, ou tenofovir, a critério médico.
Certa, pois o paciente está em fase imunorreativa da hepatite B crônica, com HBeAg positivo, alta viremia e ALT elevada, havendo indicação de tratamento antiviral.
- E)de reativação, provavelmente com desenvolvimento do vírus mutante, devendo-se iniciar tratamento com tenofovir.
Errada, porque reativação e mutante pré-core são quadros tipicamente HBeAg negativos, e o caso traz HBeAg positivo desde o início.
Gabarito: D
Na hepatite B crônica, a classificação por fases ajuda a decidir quem só acompanha e quem já deve tratar. Em linhas gerais, voce olha para três coisas: HBeAg, carga viral do HBV-DNA e ALT. Quando o paciente está HBeAg positivo, com HBV-DNA alto e ALT elevada, o quadro costuma ser de fase imunorreativa, isto é, o sistema imune já está brigando com o vírus e a inflamação hepática aparece nos exames. É exatamente o que acontece aqui: HBeAg positivo, HBV-DNA de 134.000 UI/mL e transaminases acima do normal. A elastografia mostrando F1 significa fibrose leve, o que é bom, mas não “anula” a atividade da doença. Fibrose leve não transforma um quadro bioquímico e virológico ativo em imunotolerância ou portador inativo. Por isso, a alternativa D está correta: trata-se de fase imunorreativa, e há indicação de tratamento antiviral. Em geral, as opções de primeira linha incluem tenofovir ou entecavir; o interferon peguilado pode ser considerado em pacientes selecionados, sem contraindicações, especialmente quando se busca resposta finita do tratamento. Em provas, a banca costuma aceitar essa formulação como terapêutica apropriada. As demais alternativas erram principalmente por confundir fase da doença com grau de fibrose, ou por trocar imunorreatividade por portador inativo/imunotolerância. Na hepatite B, não basta ter uma ecografia normal e fibrose discreta: o que manda é o conjunto clínico-laboratorial.