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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Medicina

Paciente do sexo feminino, de 40 anos de idade, apresenta-se com dispneia aos esforços associada a hipoxemia de início insidioso e progressivo, história pregressa de lúpus com três episódios de tromboembolismo venoso e nefrite lúpica com doença renal crônica estágio G4A2. O ecocardiograma transtorácico detectou sinais de hipertensão pulmonar importante. Assinale a opção que apresenta o método diagnóstico mais adequado para esclarecer a etiologia da hipertensão pulmonar dessa paciente.

Gabarito: A

Essa paciente tem um quadro que acende uma luz amarela forte para hipertensão pulmonar tromboembólica crônica, especialmente porque há lúpus, tromboembolismos venosos repetidos e dispneia progressiva com hipoxemia. Em quem tem suspeita de hipertensão pulmonar por tromboembolismo crônico, o exame de rastreio mais sensível é a cintilografia de ventilação e perfusão (V/Q). Ela mostra defeitos de perfusão em territórios pulmonares mal irrigados por trombos antigos, mesmo quando a angiografia por tomografia pode não ser tão boa para pegar doença distal ou organizada. Na prática, a lógica é simples: antes de pensar em exames mais invasivos ou cheios de contraste, você quer saber se a causa é tromboembólica crônica. A V/Q é o melhor exame inicial para isso e é especialmente útil em paciente com doença renal crônica, porque evita contraste iodado. Em concurso, isso pesa bastante: lúpus + trombose recorrente + hipertensão pulmonar = pense em tromboembolismo pulmonar crônico até prova em contrário. Se a V/Q vier alterada, aí sim a investigação segue com angiografia pulmonar e cateterismo direito para confirmar a hemodinâmica e planejar tratamento. O cateterismo é o padrão para confirmar hipertensão pulmonar, mas não é o melhor exame para esclarecer a etiologia neste primeiro passo. A banca gosta desse detalhe: diagnóstico da causa antes de fechar a pressão. Resumo de ouro: em suspeita de hipertensão pulmonar tromboembólica crônica, o exame de escolha para triagem etiológica é a cintilografia V/Q. É o tipo de pegadinha em que o exame mais “sofisticado” não é o melhor, e o mais funcional ganha a prova.

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