A dor é uma das queixas mais prevalentes no ambulatório de acupuntura e deve ser corretamente interrogada para a melhor abordagem terapêutica. Acerca desse assunto, assinale a opção correta.
- A)Dor articular que piora com a movimentação e sobrecarga articular e que melhora com o repouso sugere padrão inflamatório, como observado na espondilite anquilosante.
Errada, porque dor inflamatória tende a piorar com repouso e melhorar com movimento, e não o contrário.
- B)A dor de origem neuropática não se diferencia da dor de origem miofascial, por isso o padrão de irradiação da dor tem pouca importância no diagnóstico.
Errada, porque dor neuropática e miofascial têm características clínicas distintas e o padrão de irradiação ajuda, sim, no diagnóstico.
- C)Tratando-se de paciente com dor crônica, a avaliação do padrão alimentar e de possíveis carências vitamínicas não tem importância.
Errada, porque em dor crônica a avaliação nutricional e de possíveis carências, como vitaminas do complexo B, pode ser relevante na investigação.
- D)É importante interrogar o paciente com dor sobre histórico de neoplasia, uma vez que a dor pode ser decorrente de metástase ou recidiva, mesmo anos após o tratamento da doença.
Certa, porque antecedente de neoplasia é um sinal de alerta importante, já que a dor pode indicar metástase, recidiva ou sequela tardia do tratamento.
- E)A neuralgia do trigêmeo é um exemplo de dor nociplástica que surge de uma nocicepção alterada, mesmo sem evidência de lesão real aos nociceptores periféricos.
Errada, porque neuralgia do trigêmeo é uma dor neuropática, e não nociplástica, sendo causada por disfunção do sistema somatossensorial.
Gabarito: D
Na anamnese da dor, o segredo é não ouvir só o "onde dói", mas também "como dói", "quando começou", "o que piora", "o que melhora" e se existem sinais de alerta. Em dor crônica, o raciocínio precisa ser ainda mais cuidadoso, porque a origem pode ser mecânica, inflamatória, neuropática, miofascial, nociplástica ou até indicar doença sistêmica. Um ponto essencial é investigar antecedentes relevantes, especialmente neoplasia. Em alguém com história de câncer, a dor pode ser manifestação de metástase, recidiva tumoral ou complicação tardia do tratamento, mesmo anos depois. Por isso, a suspeita clínica deve subir na lista quando o paciente relata dor persistente, progressiva, noturna ou sem explicação clara. A alternativa D está correta justamente por isso: perguntar sobre histórico de neoplasia não é detalhe, é parte da avaliação de segurança. Em patologia clínica e em semiologia, história oncológica é sinal de alerta clássico para dor de possível origem secundária, e isso muda totalmente a investigação e a conduta. As demais opções tentam confundir os padrões de dor. A banca gosta desse jogo: mistura conceitos de dor inflamatória, neuropática, miofascial e nociplástica para ver se você troca os nomes. Aqui, o importante é lembrar que a anamnese da dor é dirigida por suspeitas diagnósticas e por sinais de alarme, não por palpites.