O exame clínico de uma paciente com 42 anos de idade evidenciou retração palpebral, exoftlamia bilateral e miopatia restritiva. Nesse quadro clínico hipotético, o diagnóstico provável é de
- A)doença oftálmica de Graves.
Certa, porque retração palpebral, exoftalmia bilateral e miopatia restritiva formam o quadro típico da doença oftálmica de Graves.
- B)glioma de nervo óptico.
Errada, pois glioma do nervo óptico não costuma causar exoftalmia bilateral com retração palpebral e restrição motora dessa forma.
- C)mucormicose rino-orbitária.
Errada, porque mucormicose rino-orbitária é infecção fúngica grave, geralmente aguda e em imunossuprimidos, não um quadro crônico típico de orbitopatia bilateral.
- D)inflamação idiopática de órbita.
Errada, pois a inflamação idiopática da órbita costuma ser dolorosa e mais localizada, sem o padrão clássico de retração palpebral e associação tireoidiana.
- E)rabdomiossarcoma.
Errada, já que rabdomiossarcoma é tumor orbitário mais relacionado a crianças e não explica esse conjunto clínico típico de Graves.
Gabarito: A
A combinação de retração palpebral, exoftalmia bilateral e miopatia restritiva aponta muito para a doença oftálmica de Graves, que é a manifestação orbitária da doença tireoidiana autoimune. O raciocínio aqui é clássico: a pálpebra fica mais aberta, o globo ocular projeta para fora e os músculos extraoculares inflamam e fibrosam, limitando os movimentos e causando diplopia. Em prova, quando aparecem olhos salientes, retração palpebral e restrição da motilidade, o candidato já pode acender a luz amarela da orbitopatia tireoidiana. Na doença de Graves, a base é autoimune, com inflamação dos tecidos orbitários e aumento de volume da gordura e da musculatura extraocular. O músculo mais lembrado é o reto inferior, mas qualquer músculo pode ser acometido, e isso explica a miopatia restritiva. A exoftalmia costuma ser bilateral e pode variar de leve a grave, às vezes com dor, sensação de areia, ceratite de exposição e até compressão do nervo óptico nos casos mais severos. O gabarito é a letra A porque esse conjunto de sinais é praticamente a assinatura clínica da orbitopatia de Graves. Não é um quadro de tumor, nem de infecção fúngica agressiva, nem de inflamação orbitária idiopática isolada. Aqui, a história toda “fecha” com doença tireoidiana autoimune, que é o diagnóstico mais provável em uma mulher de meia-idade com esses achados. Em prova de concurso, pense assim: se o enunciado traz retracao palpebral + exoftalmia bilateral + restrição motora ocular, a banca quer que voce lembre de Graves antes de qualquer outro diagnóstico. É aquele tipo de questão que parece oftalmologia, mas também cobra endocrinologia disfarçada.