Um homem de 65 anos idade está internado por acidente vascular encefálico, fora de janela de trombólise, com sequela motora de hemiparesia direita. Sua ultrassonografia com doppler de carótidas mostra estenose de 80% em carótida interna esquerda. Quando comparada à endarterectomia cirúrgica, a angioplastia com stent está associada a menores taxas de
- A)acidente vascular encefálico perioperatório.
Errada: a angioplastia com stent costuma ter mais, e não menos, AVC perioperatório do que a endarterectomia em muitos estudos.
- B)acidente vascular encefálico no longo prazo.
Errada: no longo prazo, o benefício do stent não é reduzir AVC em relação à endarterectomia; esse não é o desfecho em que ele costuma levar vantagem.
- C)mortalidade no longo prazo.
Errada: a mortalidade global no longo prazo não é consistentemente menor com stent em comparação à endarterectomia.
- D)reestenose carotídea.
Errada: a reestenose carotídea tende a ser mais frequente após stent do que após endarterectomia.
- E)infarto agudo do miocárdio perioperatório.
Certa: a angioplastia com stent está associada a menor taxa de infarto agudo do miocárdio perioperatório em comparação com a endarterectomia.
Gabarito: E
Em estenose carotídea sintomática importante, a decisão entre endarterectomia e angioplastia com stent não gira em torno de um único desfecho, porque cada técnica tem seu “ponto forte” e seu “ponto fraco”. A endarterectomia costuma ter melhor perfil para evitar AVC perioperatório, enquanto o stent tende a ser menos agressivo para o coração. Em outras palavras: uma mexe mais com o cérebro, a outra poupa mais o miocárdio. No paciente da questão, há AVC prévio e estenose de 80% em carótida interna esquerda, cenário clássico de doença carotídea sintomática. Em comparações entre angioplastia com stent e endarterectomia, o stent se associa a menores taxas de infarto agudo do miocárdio no perioperatório, porque evita a cirurgia cervical aberta e o estresse hemodinâmico maior do procedimento cirúrgico. Por outro lado, o stent não é a campeã em todos os desfechos: em geral, a endarterectomia apresenta menos AVC perioperatório, enquanto o stent pode ter mais eventos neurológicos no curto prazo e maior reestenose em alguns cenários. Então, quando a banca pergunta qual evento cai com o stent, ela costuma mirar justamente no coração. Esse raciocínio é coerente com a literatura e com o que se ensina nas diretrizes vasculares: comparar procedimentos exige olhar desfecho por desfecho, e não escolher “o melhor” no atacado. Aqui, o gabarito é a letra E porque a angioplastia com stent está associada a menor taxa de infarto agudo do miocárdio perioperatório quando comparada à endarterectomia.