Acerca da síndrome hepatorrenal (SHR), uma das muitas causas potenciais de lesão renal aguda em pacientes com doença hepática aguda ou crônica, assinale a opção correta.
- A)A SHR representa o estágio final de uma sequência de reduções na perfusão renal, sendo caracterizada por diminuição da dilatação do leito vascular esplâncnico, estado hipodinâmico e redução do volume circulante efetivo.
Errada: na SHR há vasodilatação esplâncnica, não diminuição dela, e o quadro é de estado hiperdinâmico, não hipodinâmico.
- B)A creatinina sérica é um bom parâmetro de avaliação no paciente com cirrose hepática e SHR, pois, com a síntese hepática reduzida de creatinina, o paciente apresenta baixa secreção tubular dessa substância.
Errada: a creatinina sérica não é um bom parâmetro isolado no cirrótico, pois pode estar falsamente baixa e não reflete bem a função renal.
- C)Fatores como infecções, sangramentos do trato gastrintestinal e betabloqueadores não precipitam lesão renal aguda em pacientes com cirrose.
Errada: infecções, hemorragia digestiva e alguns betabloqueadores podem, sim, precipitar lesão renal aguda em pacientes com cirrose.
- D)A lesão renal aguda é definida pelo KDIGO (Kidney Disease Improving Global Outcomes) como um aumento absoluto da creatinina sérica maior ou igual a 0,3 mg/dL em menos de 48 h ou um aumento de 50% em menos de 7 dias, ou débito urinário menor que 0,5mL/kg/h por mais de 6 h.
Certa: essa é a definição do KDIGO para lesão renal aguda, incluindo critério por creatinina e por débito urinário.
- E)A SHR é constituída por vasoconstrição esplênica que provoca redução do volume do sangue arterial e da pressão devido à diminuição da atividade do sistema nervoso simpático e do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
Errada: a SHR decorre de vasodilatação esplâncnica com ativação aumentada, e não reduzida, do sistema simpático e do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
Gabarito: D
A síndrome hepatorrenal (SHR) é uma forma de lesão renal aguda funcional que aparece em pacientes com cirrose avançada ou insuficiência hepática grave. O ponto central não é uma lesão estrutural do rim, mas sim uma vasodilatação esplâncnica intensa, que reduz o volume arterial efetivo e ativa mecanismos como o sistema renina-angiotensina-aldosterona e o sistema simpático. Resultado clássico: o rim “sofre por tabela”, com vasoconstrição renal e piora rápida da função renal. Na prática, isso acontece em um cenário de circulação hiperdinâmica, com pressão arterial efetiva baixa e perfusão renal comprometida. Por isso, qualquer gatilho que piore a hemodinâmica ou a inflamação, como infecção, sangramento digestivo ou uso inadequado de diuréticos e alguns betabloqueadores, pode precipitar a síndrome. O gabarito é a letra D porque ela traz a definição atual de lesão renal aguda pelo KDIGO: aumento da creatinina sérica em pelo menos 0,3 mg/dL em até 48 horas, ou aumento de 50% em até 7 dias, ou diurese menor que 0,5 mL/kg/h por mais de 6 horas. Esse é o conceito cobrado de forma direta e padrão em nefrologia. Um detalhe importante: creatinina em cirrótico costuma ser um marcador ruim, porque pode ficar falsamente baixa por menor produção muscular e menor síntese hepática, então ela subestima a disfunção renal. Em prova, a banca adora esse tipo de pegadinha com cara de laboratório confiável, mas que no cirrótico não é tão confiável assim.