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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Medicina

Paciente do sexo masculino, com sete anos de idade, portador de hemofilia congênita B grave, com histórico familiar conhecido de hemofilia, em uso regular de profilaxia primária de concentrado de fator IX plasmático, comparece em consulta de rotina hematológica. A mãe refere dificuldade de controle com doses habituais de fator IX na última hemartrose de joelho direito, quando o paciente necessitou de dose dobrada de fator IX plasmático para controle. Em relação ao caso clínico apresentado, assinale a opção correta.

Gabarito: B

Na hemofilia B grave, qualquer sinal de resposta pior ao fator IX, como necessidade de doses maiores para controlar sangramento, acende a luz amarela para inibidor. Inibidor é um anticorpo que neutraliza o fator infundido, fazendo a reposição “sumir no ar” antes de funcionar direito. Por isso, o paciente deve ser investigado com teste específico para inibidor, porque a perda de resposta terapêutica é um achado clássico quando isso acontece. A hemofilia B com inibidor é menos comum que na hemofilia A, mas costuma ser mais delicada: pode haver reações alérgicas graves, inclusive anafilaxia, e também síndrome nefrótica, especialmente em alguns contextos clínicos. Essa associação é bem conhecida em hematologia e é justamente o que torna o tema tão cobrado em prova, porque a banca gosta de testar se você sabe que hemofilia B com inibidor não é só “sangrar mais”, é também correr risco de reação sistêmica importante. No caso descrito, o menino precisou de dose dobrada de fator IX para controlar a hemartrose, o que sugere resposta reduzida e justifica a pesquisa de inibidor. Então a alternativa B está correta ao afirmar que a detecção é semelhante à da hemofilia A, mas com maior preocupação por anafilaxia, síndrome nefrótica e falha terapêutica. Na prática, o raciocínio é: sangramento que não responde como esperado em hemofilia B merece investigação dirigida. Detalhe importante: a profilaxia e o manejo dos inibidores seguem protocolos hematológicos específicos, e o tratamento de erradicação com imunossupressão não é rotina simples nem padronizado como a alternativa A tenta sugerir. Em prova, quando aparecer hemofilia B com dificuldade de resposta ao fator, pense primeiro em inibidor e nas complicações alérgicas associadas.

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