Após realizar exame de videocolonoscopia, ainda na sala de recuperação, um paciente de 50 anos de idade, previamente hígido, queixou-se de intensa dor abdominal. Segundo o médico que realizou o exame, houve dificuldade técnica devido a numerosos divertículos por todo o cólon do paciente. Dessa forma, o médico considerou como principal hipótese a perfuração do cólon em virtude da videocolonoscopia. Com base nessa situação hipotética, assinale a opção que indica a conduta a ser tomada.
- A)Alta do paciente com analgesia com opioides e retorno em 24 h para reavaliação clínica.
Errada, porque alta com analgesia não é segura diante de suspeita de perfuração de cólon no pós-colonoscopia.
- B)Radiografia simples de abdômen agudo.
Certa, pois a radiografia simples de abdômen agudo é exame inicial útil para pesquisar pneumoperitônio e confirmar a suspeita de perfuração.
- C)Analgesia com opioides, observação por 2 h e repetição da colonoscopia para descompressão do cólon, caso a dor se mantenha.
Errada, porque observar e repetir colonoscopia para descompressão ignora a principal hipótese de perfuração e pode piorar o quadro.
- D)Introdução de clister opaco com contraste iodado.
Errada, porque clister opaco com contraste iodado não é a primeira conduta nesse contexto e não substitui a avaliação de perfuração.
- E)Repetição da colonoscopia para descompressão do cólon.
Errada, porque repetir colonoscopia em paciente com forte suspeita de perfuração é inadequado e potencialmente perigoso.
Gabarito: B
A dor abdominal intensa logo após a videocolonoscopia acende um alerta importante: perfuração de cólon até prova em contrário. Quando isso acontece, a prioridade não é “esperar para ver”, e sim investigar rapidamente se houve ar livre na cavidade abdominal. Na prática, a radiografia simples de abdômen agudo é um exame inicial clássico para pesquisar pneumoperitônio, especialmente em cenário pós-procedimento com suspeita de perfuração. A colonoscopia pode causar perfuração, ainda mais em situações tecnicamente difíceis, como cólon com muitos divertículos. O quadro costuma vir com dor intensa, distensão, defesa abdominal e piora clínica. O passo seguinte é suspender qualquer ideia de novo exame invasivo e fazer imagem imediata para confirmar a complicação e orientar conduta cirúrgica ou conservadora, conforme o caso. Por isso, o gabarito B faz sentido: a radiografia simples pode mostrar ar livre sob as cúpulas diafragmáticas ou outros sinais indiretos de perfuração. Em provas, a lógica é simples: suspeitou de perfuração depois de colonoscopia, pense primeiro em exame de imagem para localizar pneumoperitônio, e não em repetir o procedimento nem em “abafar” a dor com opioide. Se a perfuração for confirmada, a conduta definitiva depende do tamanho da lesão, estabilidade hemodinâmica e sinais de peritonite, mas o primeiro passo pedido pela questão é a investigação radiológica inicial. Ou seja: a prova quer você reconhecendo urgência diagnóstica, não improviso.