Ainda no que diz respeito a doenças gastrointestinais e hepáticas, assinale a opção correta.
- A)Na retocolite ulcerativa, o local mais comum de inflamação é o íleo terminal, e a manifestação clínica habitual está associada a uma história crônica de episódios recorrentes de dor no quadrante inferior direito e diarreia.
Errada, porque a retocolite ulcerativa acomete principalmente reto e cólon, não o íleo terminal, e o quadro típico é diarreia com sangue, urgência e tenesmo.
- B)Na doença de Crohn, os principais sintomas são diarreia, sangramento retal, tenesmo, eliminação de muco e cólica abdominal.
Errada, porque esses sintomas são mais compatíveis com retocolite ulcerativa, enquanto na doença de Crohn o padrão costuma ser mais heterogêneo e frequentemente com dor abdominal e diarreia.
- C)Na maioria dos casos de colelitíase, a cólica biliar é diurna, ocorrendo principalmente após o almoço.
Errada, porque a cólica biliar não é predominantemente diurna nem ocorre principalmente após o almoço; costuma aparecer após refeições gordurosas e pode surgir em qualquer horário.
- D)A coexistência de pancreatite deve ser altamente considerada nos pacientes com sintomas de colecistite que manifestam dor na coluna dorsal ou à esquerda da linha média abdominal, vômitos prolongados com íleo paralítico ou derrame pleural, sobretudo do lado esquerdo.
Certa, porque dor irradiada para o dorso ou lado esquerdo, vômitos prolongados, íleo paralítico e derrame pleural esquerdo são achados que obrigam a pensar em pancreatite associada ao quadro biliar.
- E)Pacientes com idade superior a 60 anos são mais propensos que jovens ao desenvolvimento de sintomas da colelitíase.
Errada, porque idade acima de 60 anos aumenta risco de litíase, mas não significa maior propensão a desenvolver sintomas, já que muitos idosos permanecem assintomáticos.
Gabarito: D
A questão mistura doenças bem parecidas na clínica, então vale separar os quadros com calma. Retocolite ulcerativa costuma acometer o reto e o cólon de forma contínua, com diarreia sanguinolenta, urgência evacuatória e tenesmo. Já a doença de Crohn pode atingir qualquer segmento do tubo digestivo, com lesões descontínuas, dor abdominal e diarreia, muitas vezes sem sangramento como manifestação principal. Na colelitíase e na colecistite, o paciente costuma relatar dor em hipocôndrio direito, náuseas e vômitos. Só que, quando a dor irradia para as costas, para o dorso ou para a esquerda do abdome, principalmente com vômitos prolongados, íleo paralítico ou derrame pleural esquerdo, você deve pensar em pancreatite associada. Isso é um alerta clínico clássico, porque a inflamação pancreática pode coexistir com doença biliar e mudar bastante a conduta. Por isso, o item D está correto: ele aponta sinais que fazem o médico suspeitar de pancreatite junto com o quadro biliar. Em prova, a banca gosta muito de testar essa associação entre dor abdominal alta, irradiação dorsal e complicações respiratórias ou intestinais. A ideia é simples: nem toda dor de vesícula é “só vesícula”; às vezes o pâncreas entra na história e bagunça o cenário. Também vale lembrar que sintomas de colelitíase variam bastante, e idade avançada não garante quadro mais sintomático. Em geral, a banca adora inverter características de retocolite ulcerativa e Crohn, além de misturar padrão de dor biliar com pancreatite para ver se você está atento.