Ainda no que se refere a doenças renais, assinale a opção correta.
- A)As complicações venosas secundárias ao estado de hipercoagulabilidade associado à síndrome nefrótica não podem ser tratadas com anticoagulantes convencionais, sob o risco de hematúria maciça.
Errada, porque as complicações trombóticas da síndrome nefrótica podem ser tratadas com anticoagulantes quando indicados, e o risco de hematúria não impede automaticamente o uso.
- B)Os cálculos de fosfato de cálcio são os mais comuns na etiopatogenia da nefrolitíase.
Errada, porque os cálculos mais comuns são os de oxalato de cálcio, não os de fosfato de cálcio.
- C)Um maior aporte nutricional de cálcio está relacionado a um menor risco de formação de cálculos renais.
Certa, porque maior ingestão de cálcio na dieta reduz a absorção intestinal de oxalato e diminui o risco de nefrolitíase por oxalato de cálcio.
- D)Na perda de álcalis a partir do trato gastrointestinal, devido a diarreia, ou a partir dos rins, devido a distúrbios tubulares renais, como na acidose tubular renal, ocorre acidose metabólica com ânion gap aumentado.
Errada, porque perda de bicarbonato por diarreia ou acidose tubular renal causa acidose metabólica com ânion gap normal, e não aumentado.
- E)Cetoacidose diabética e acidose lática são exemplos de acidose metabólica com ânion gap reduzido.
Errada, porque cetoacidose diabética e acidose lática são causas clássicas de acidose metabólica com ânion gap aumentado, e não reduzido.
Gabarito: C
A nefrolitíase costuma aparecer em prova com uma pegadinha clássica: a banca mistura o tipo de cálculo mais comum com o fator alimentar que protege ou aumenta o risco. O ponto central aqui é lembrar que, na maioria dos cálculos urinários, o problema não é o cálcio da dieta em si, e sim a combinação de oxalato, baixa ingestão de água, hipercalciúria e outros fatores metabólicos. A alternativa correta é a C porque uma maior ingestão de cálcio na alimentação se associa a menor risco de cálculo renal, especialmente de oxalato de cálcio. Isso acontece porque o cálcio ingerido no intestino se liga ao oxalato, reduzindo sua absorção e, consequentemente, a quantidade de oxalato disponível para formar pedra na urina. Já a ideia de cortar demais o cálcio dietético pode sair pela culatra. Menos cálcio no intestino significa mais oxalato livre para ser absorvido, o que favorece a formação de cálculos. Ou seja, nesta matéria, nem sempre o reflexo intuitivo ajuda: mais cálcio na dieta, dentro do contexto adequado, pode ser protetor. Em termos práticos, a banca quer que voce saiba diferenciar dieta de suplementos, além de não confundir os tipos de cálculo. O raciocínio mais cobrado é esse: cálcio alimentar adequado ajuda a prevenir nefrolitíase por reduzir a absorção intestinal de oxalato.