Paciente de 12 anos de idade com história de dor testicular à direita, de início súbito e intensa, foi atendido depois de 1 hora do início do quadro. No exame físico, apresentava testículo esquerdo sem alterações e o testículo direito elevado, com espessamento em cordão. O caso sugeria torção do cordão espermático à direita. Foi realizada manobra de rotação manual, de medial para lateral nesse testículo anormal, com aparente regularização da posição testicular e melhora imediata da dor local. A partir desse caso clínico, assinale a opção correta.
- A)Intervir cirurgicamente nesse caso, independentemente da disponibilidade de ecografia testicular com doppler, é o mais recomendado.
Correta, porque a forte suspeita clínica de torção testicular exige exploração cirúrgica imediata, sem aguardar ecografia se isso atrasar o tratamento.
- B)A orquiepididimite bacteriana deve ser considerada principal diagnóstico diferencial, haja vista a história clínica do referido paciente.
Errada, porque o quadro é típico de torção testicular, e orquiepididimite costuma ter início mais insidioso e pode vir com febre e sintomas urinários.
- C)Ecografia com doppler testicular depois da manobra de rotação manual do testículo e do alívio dos sintomas é indispensável para considerar tratamento cirúrgico.
Errada, porque a melhora após a manobra manual não dispensa a cirurgia; o doppler pode ajudar, mas não é indispensável para indicar tratamento definitivo.
- D)Após 6 horas de sintomas, já não seria considerada a abordagem cirúrgica do caso, sendo esse o tempo limite para tratamento de uma possível torção de cordão espermático.
Errada, porque ainda há indicação cirúrgica mesmo após 6 horas de sintomas, já que o testículo pode ser viável e a abordagem não tem esse limite rígido.
- E)A manobra de rotação manual para destorcer o cordão testicular deve ser considerada uma opção terapêutica definitiva quando bem-sucedida.
Errada, porque a destorção manual é medida temporária ou de ponte para a cirurgia, e não tratamento definitivo.
Gabarito: A
Torção testicular é emergência urológica clássica: dor súbita, intensa, testículo elevado e espessamento do cordão formam quase o retrato falado do diagnóstico. Em adolescente com esse quadro, o relógio corre contra o testículo, porque a isquemia pode levar a perda da gônada em poucas horas. A conduta inicial pode incluir tentativa de destorção manual, mas isso não encerra o caso. Mesmo com melhora da dor e aparente normalização da posição, o paciente deve ser encaminhado para exploração cirúrgica urgente, porque a torção pode persistir, recidivar ou ter correção incompleta. Por isso, a alternativa A está correta: quando a suspeita clínica é alta, a cirurgia é indicada independentemente da disponibilidade de ecografia com doppler. O doppler ajuda quando o quadro é duvidoso, mas não deve atrasar o tratamento em um caso típico como este. Em prova, pense assim: torção testicular é diagnóstico de urgência clínica, não de paciência.