Tendo como referência as recomendações do relatório da Global Initiative for Asthma de 2023 (GINA 2023) para o diagnóstico e tratamento da asma brônquica, julgue os próximos itens. I O uso isolado de broncodilatadores de curta duração sob demanda é o tratamento mais adequado para a asma leve em adultos. II Asma de início tardio é mais comum em homens e tende a requerer doses mais elevadas de corticoide inalatório para controle dos sintomas. III Na presença de sintomas típicos de asma, variações acima de 5% e 100 mL no volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) em relação ao valor basal na espirometria são consistentes com o diagnóstico de asma. Assinale a opção correta.
- A)Apenas os itens I e II estão certos.
Errada, porque o item I está incorreto e o item II também está incorreto.
- B)Apenas os itens II e III estão certos.
Errada, porque o item II está incorreto e o item III também está incorreto.
- C)Apenas os itens I e III estão certos.
Errada, porque o item I está incorreto e o item III também está incorreto.
- D)Nenhum item está certo.
Correta, porque nenhum dos três itens corresponde às recomendações da GINA 2023 ou aos critérios espirométricos aceitos.
- E)Todos os itens estão certos.
Errada, porque os três itens apresentam informações incompatíveis com o guia e com a prática diagnóstica da asma.
Gabarito: D
A GINA 2023 mudou bastante a cara do tratamento da asma leve. Hoje, em adultos e adolescentes, o uso isolado de broncodilatador de curta duração sob demanda não é a melhor estratégia, porque deixa o paciente exposto a maior risco de exacerbações. O caminho preferido é usar corticoide inalatório, geralmente em esquema com formoterol sob demanda ou, em algumas situações, ICS sempre que houver uso de SABA. Outro ponto clássico é a asma de início tardio. Ela é mais comum em mulheres, não em homens, e costuma ter um perfil clínico mais persistente e, muitas vezes, menos responsivo ao tratamento convencional. Por isso, a banca gosta de misturar epidemiologia com conduta para testar se você decorou ou se realmente leu o guia com calma. Na espirometria, a prova de broncodilatação que apoia o diagnóstico de asma não é aquela variação pequena de 5% e 100 mL. O critério clássico é melhora do VEF1 maior que 12% e maior que 200 mL em relação ao basal após broncodilatador. Se o paciente tem sintomas típicos, esse dado ajuda muito a fechar o raciocínio diagnóstico. Resultado: os três itens estão errados, então o gabarito é D. Em prova de Pneumologia, desconfie sempre de alternativas que tratam SABA isolado como padrão moderno, trocam sexo/epidemiologia da asma tardia ou inventam números da espirometria.