Pessoa do sexo feminino, de 62 anos de idade, assintomática, tabagista de 30 anos-maço e sem comorbidades, procurou atendimento médico preocupada com a possibilidade de desenvolver câncer de pulmão. Os resultados dos exames físicos e laboratoriais foram normais. Nesse caso clínico hipotético, para a detecção precoce da referida patologia, o exame mais recomendado é
- A)prova de função pulmonar com medida da difusão do monóxido de carbono.
A prova de função pulmonar com DLCO avalia função respiratória, mas não é exame de rastreamento para câncer de pulmão.
- B)tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação.
A tomografia computadorizada de tórax com baixa dose é o exame recomendado para rastreamento em pessoas com risco aumentado de câncer de pulmão.
- C)radiografia de tórax.
A radiografia de tórax é pouco sensível para detectar lesões iniciais e não é a melhor escolha para detecção precoce.
- D)cintilografia de ventilação e perfusão.
A cintilografia de ventilação e perfusão é usada sobretudo na investigação de tromboembolismo pulmonar, não para rastreamento de câncer.
- E)ressonância magnética com gadolínio.
A ressonância magnética com gadolínio não é exame padrão para triagem de câncer de pulmão, tendo papel mais restrito em situações específicas.
Gabarito: B
Quando a ideia é detectar câncer de pulmão antes de surgirem sintomas, o exame de rastreamento recomendado, em pessoas de maior risco, é a tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação. Aqui, a paciente tem 62 anos e histórico de tabagismo de 30 anos-maço, perfil que entra na faixa em que o rastreio costuma ser indicado por diretrizes internacionais, desde que haja condição clínica para tratamento caso algo seja encontrado. O objetivo não é diagnosticar qualquer tosse ou falta de ar, e sim encontrar lesões pequenas em fase inicial, quando o prognóstico é melhor. A radiografia de tórax já foi muito usada, mas não é o método preferido para rastreamento porque perde nódulos pequenos e não reduziu mortalidade como se esperava. A ressonância, a cintilografia de ventilação e perfusão e a prova de função pulmonar não são exames de triagem para câncer de pulmão. Cada um tem sua utilidade em outros cenários, mas aqui eles passam longe do que se pede. A tomografia de baixa dose é o exame que concentra melhor sensibilidade para rastreamento e menor exposição à radiação do que uma tomografia convencional. Por isso, em paciente assintomática com perfil de risco relevante, é ela que entra como exame mais recomendado para detecção precoce.