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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Medicina

Em relação ao papel da endoscopia no diagnóstico e tratamento do câncer do esôfago, assinale a opção correta.

Gabarito: E

No câncer de esôfago, a endoscopia tem papel central tanto no diagnóstico quanto no tratamento. Ela permite visualizar a lesão, fazer biópsia para confirmar o diagnóstico e, em casos bem selecionados, tratar lesões iniciais por técnicas como mucosectomia endoscópica e dissecção submucosa. Aqui está o ponto-chave: quando o tumor está restrito à mucosa ou à submucosa, a chance de cura com tratamento endoscópico é muito maior, porque o risco de acometimento linfonodal ainda é bem menor. Por isso, definir com precisão a profundidade da invasão é essencial. Em termos práticos, se a lesão invade apenas a mucosa ou a submucosa, pode haver indicação de terapia endoscópica curativa, desde que não existam critérios de alto risco para metástase linfonodal. Se a invasão é mais profunda, a chance de doença disseminada aumenta e o tratamento costuma exigir abordagem mais ampla, como cirurgia, quimio e/ou radioterapia. A ecoendoscopia é muito útil no estadiamento local do câncer esofágico, especialmente para avaliar a profundidade da invasão e linfonodos regionais. Já a tomografia tem papel importante para estadiamento à distância, mas não supera a ecoendoscopia na avaliação da camada acometida. Ou seja, na prática, a endoscopia e a ecoendoscopia são as ferramentas que mais ajudam a separar uma lesão potencialmente curável por via endoscópica de uma doença mais avançada. Então o gabarito está na alternativa E porque ela traduz exatamente esse raciocínio: delimitar se a lesão ficou na mucosa ou submucosa é o que orienta o sucesso da terapia endoscópica curativa, seja por mucosectomia, seja por ressecção da submucosa. É o tipo de detalhe que muda tudo, e o esôfago adora cobrar isso em prova.

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