Em relação ao papel da endoscopia no diagnóstico e tratamento do câncer do esôfago, assinale a opção correta.
- A)O adenocarcinoma no esôfago distal é uma neoplasia frequente em todo o mundo, e os fatores de riscos mais comuns envolvem o consumo excessivo de álcool, tabagismo, tilose, história de neoplasia em vias aéreas digestivas e ingesta de cáusticos.
Errada: adenocarcinoma distal se relaciona principalmente com refluxo gastroesofágico, Barrett e obesidade, não com álcool, tabagismo e cáusticos, que são mais ligados ao carcinoma escamoso.
- B)O carcinoma de células escamosas do esôfago é mais frequente em homens que em mulheres (8:1 em estatísticas americanas), e os principais fatores de riscos envolvem a doença do refluxo gastroesofagiano, o tabagismo e a obesidade.
Errada: o carcinoma escamoso se associa mais a tabagismo, álcool e outros fatores irritativos, enquanto DRGE e obesidade apontam mais para adenocarcinoma.
- C)A utilização de próteses deve ser proibida para os casos avançados como método paliativo para a disfagia e fístulas secundárias ao câncer esofágico.
Errada: próteses esofágicas são amplamente usadas como medida paliativa para disfagia e fístulas em doença avançada.
- D)A tomografia computadorizada com emissão de prótons mostra-se superior à ecoendoscopia no estadiamento das lesões submucosas do trato digestivo alto, principalmente no que se refere à avaliação da extensão local (T) e nodal (N), com menor acurácia nos casos de estenoses avançadas.
Errada: a ecoendoscopia é superior à tomografia para avaliar profundidade de invasão e linfonodos locais; além disso, a tomografia com emissão de prótons não é o exame clássico descrito para esse fim.
- E)A definição dos limites de invasão da mucosa ou submucosa é fundamental para o sucesso da terapia endoscópica curativa, seja na mucosectomia, seja na ressecção da submucosa.
Certa: a avaliação da profundidade de invasão na mucosa e submucosa define se a ressecção endoscópica pode ser curativa em lesões iniciais.
Gabarito: E
No câncer de esôfago, a endoscopia tem papel central tanto no diagnóstico quanto no tratamento. Ela permite visualizar a lesão, fazer biópsia para confirmar o diagnóstico e, em casos bem selecionados, tratar lesões iniciais por técnicas como mucosectomia endoscópica e dissecção submucosa. Aqui está o ponto-chave: quando o tumor está restrito à mucosa ou à submucosa, a chance de cura com tratamento endoscópico é muito maior, porque o risco de acometimento linfonodal ainda é bem menor. Por isso, definir com precisão a profundidade da invasão é essencial. Em termos práticos, se a lesão invade apenas a mucosa ou a submucosa, pode haver indicação de terapia endoscópica curativa, desde que não existam critérios de alto risco para metástase linfonodal. Se a invasão é mais profunda, a chance de doença disseminada aumenta e o tratamento costuma exigir abordagem mais ampla, como cirurgia, quimio e/ou radioterapia. A ecoendoscopia é muito útil no estadiamento local do câncer esofágico, especialmente para avaliar a profundidade da invasão e linfonodos regionais. Já a tomografia tem papel importante para estadiamento à distância, mas não supera a ecoendoscopia na avaliação da camada acometida. Ou seja, na prática, a endoscopia e a ecoendoscopia são as ferramentas que mais ajudam a separar uma lesão potencialmente curável por via endoscópica de uma doença mais avançada. Então o gabarito está na alternativa E porque ela traduz exatamente esse raciocínio: delimitar se a lesão ficou na mucosa ou submucosa é o que orienta o sucesso da terapia endoscópica curativa, seja por mucosectomia, seja por ressecção da submucosa. É o tipo de detalhe que muda tudo, e o esôfago adora cobrar isso em prova.