Um bebê com seis meses de vida foi levado pela família ao atendimento médico com os seguintes sintomas: acessos de tosse seca contínua, finalizados por inspiração forçada e prolongada com som de “silvo”, dificuldade de beber, comer e respirar. A família relatou que o quadro evoluiu, tendo iniciado com febre, coriza, mal-estar e tosse seca. Com base nos sintomas descritos no quadro clínico precedente, assinale a opção correspondente à doença que deve ser considerada como parte do diagnóstico diferencial.
- A)escarlatina
Escarlatina costuma cursar com febre, dor de garganta e exantema, não com crises de tosse paroxística e "guincho" inspiratório.
- B)caxumba
Caxumba dá parotidite e dor ao mastigar, não esse padrão respiratório típico de tosse em acessos.
- C)rubéola
Rubéola é uma doença exantemática leve, geralmente com adenomegalia e rash, sem esse quadro respiratório de coqueluche.
- D)coqueluche
Correta: a descrição é clássica de coqueluche, com tosse seca em crises, inspiração prolongada com som característico e início catarral semelhante a resfriado.
- E)febre tifoide
Febre tifoide provoca febre prolongada e sintomas gastrointestinais, não acessos de tosse com silvo inspiratório.
Gabarito: D
O quadro descrito é bem típico de coqueluche, uma infecção respiratória causada pela Bordetella pertussis. Em bebês, ela pode aparecer de forma mais dramática do que em adultos: começa parecendo um resfriado comum, com febre baixa ou ausente, coriza, mal-estar e tosse seca. Depois, a tosse evolui para crises em salvas, longas e repetidas, terminando com a inspiração forçada e o famoso "guincho" ou "silvo". Em lactentes, isso pode vir junto de dificuldade para mamar, beber e até respirar, o que deixa o caso bem chamativo. A banca adora esse detalhe da evolução em fases: fase catarral, depois fase paroxística e, mais tarde, fase de convalescença. O ponto-chave é que a tosse na coqueluche é muito intensa, seca e paroxística, muitas vezes com vômitos ou cansaço após os acessos. Em bebês pequenos, nem sempre o "guincho" aparece de forma tão clássica quanto em crianças maiores, mas o padrão descrito na questão aponta diretamente para esse diagnóstico. Por isso, a alternativa correta é a D. A clínica é praticamente a assinatura da coqueluche: início catarral enganando como virose e, depois, tosse em acessos com inspiracão prolongada e ruído característico. Em prova, se aparecer bebê com tosse seca em crises, guincho inspiratório e dificuldade para se alimentar, pense primeiro em coqueluche antes de sair marcando qualquer exantema viral por impulso. Vale lembrar que a coqueluche é doença de notificação compulsória e tem prevenção por vacinação, o que também costuma aparecer em questões de infectologia. Mas aqui o que manda é a semiótica clássica, que é muito mais útil do que decorar nome bonito de bactéria.