Com o desenvolvimento de novas tecnologias, as indicações para o uso de terapia aguda de substituição renal vêm-se ampliando nas últimas décadas. Além de suas indicações clássicas para os casos de insuficiência renal aguda (IRA), intoxicações e erros inatos do metabolismo (EIM), o uso da terapia como suporte renal em pacientes criticamente doentes vem sendo sugerido. A respeito desse tema, assinale a opção correta.
- A)Na hemodiálise contínua (continuous venovenous hemodialysis), o principal método de depuração é a convecção.
Errada: na hemodiálise contínua predomina a difusão, e não a convecção.
- B)Na hemofiltração contínua (continuous venovenous hemofiltration), o principal método de remoção de solutos é a difusão.
Errada: na hemofiltração contínua predomina a convecção, e não a difusão.
- C)Tanto a convecção quanto a difusão podem ser utilizadas na remoção dos solutos durante a terapia contínua e são igualmente eficazes na retirada de moléculas de baixo peso molecular; entretanto, a convecção permite a retirada de moléculas de média e grande massas moleculares.
Certa: difusão e convecção podem ser usadas na terapia contínua, e a convecção favorece a remoção de moléculas maiores.
- D)Por atingir uma depuração maior com uma menor variação metabólica e menor risco de hipotensão, a hemodiálise intermitente de 3 h a 4 h apresenta melhores resultados que a terapia hemodialítica contínua realizada durante 24 h por dia.
Errada: a terapia contínua costuma ser mais estável hemodinamicamente, mas a hemodiálise intermitente de 3 a 4 horas não é superior em resultados globais para o paciente crítico.
- E)A utilização de um cateter venoso de lúmen único é fundamental para instituição da terapia, e cateteres menores permitem um maior fluxo sanguíneo com melhor sobrevida do circuito, devendo o tamanho do cateter ser baseado na estatura do paciente.
Errada: a terapia exige cateter venoso de duplo lúmen, e o fluxo/sobrevida do circuito dependem de calibre adequado, não de cateter menor.
Gabarito: C
Na terapia renal substitutiva contínua, a ideia central é adaptar a depuração ao paciente criticamente doente, que muitas vezes não tolera bem uma hemodiálise intermitente “forte e rápida”. Por isso, as modalidades contínuas costumam ser mais estáveis do ponto de vista hemodinâmico e ajudam a remover água e solutos de forma mais gradual. Aqui entram dois mecanismos básicos: difusão e convecção. A difusão é a passagem de solutos através de uma membrana por diferença de concentração, sendo muito eficiente para moléculas pequenas, como ureia e creatinina. Já a convecção leva solutos junto com o fluxo de água que atravessa a membrana, o que favorece a retirada de moléculas maiores, além das pequenas. A alternativa C está correta porque resume exatamente essa lógica: tanto a difusão quanto a convecção podem ser usadas na terapia contínua, ambas removem bem moléculas de baixo peso molecular, e a convecção tem vantagem para moléculas de média e grande massa molecular. Em termos práticos, isso é o que diferencia hemodiálise contínua de hemofiltração contínua. As demais alternativas trocam os conceitos ou fazem afirmações clínicas erradas sobre eficácia e acesso vascular. Na prática, a banca adora misturar os nomes das técnicas com o mecanismo de depuração, então vale decorar: hemodiálise puxa mais a difusão; hemofiltração, a convecção.