Paciente do sexo feminino, com 12 anos de idade, em consulta no pronto-socorro relatou cefaleia em hemicrânio esquerdo de forte intensidade que surgiu há aproximadamente 15 horas, associada a náuseas e vômitos, fotofobia e fonofobia. Informou que foi acometida por mais de 15 desses episódios e, apenas no último mês, já apresentou 3 episódios. Relatou, também, que essas crises são incapacitantes, impedindo-a de realizar suas atividades habituais. Refere antecedente de asma. Com relação ao caso clínico hipotético descrito, assinale a opção correta.
- A)Recomenda-se a realização imediata de tomografia computadorizada de crânio, pois a principal hipótese é de hipertensão intracraniana.
Errada, porque o quadro é típico de enxaqueca e não sugere hipertensão intracraniana como principal hipótese, nem indica tomografia imediata na ausência de sinais de alarme.
- B)O diagnóstico mais provável é sinusite etmoidal.
Errada, porque sinusite etmoidal não explica bem um quadro recorrente, incapacitante, com fotofobia, fonofobia, náuseas e vômitos como manifestação principal.
- C)Não ocorre melhora do quadro álgico com o repouso.
Errada, porque na enxaqueca o repouso em ambiente escuro e silencioso costuma ajudar, e fotofobia e fonofobia tornam isso ainda mais evidente.
- D)O alívio sintomático da crise com analgesia endovenosa e a prescrição de amitriptilina como tratamento profilático é uma das condutas terapêuticas corretas a ser prescrita pelo plantonista.
Certa, porque a crise pode ser tratada com analgesia venosa e a profilaxia com amitriptilina é uma conduta aceita em casos recorrentes e incapacitantes.
- E)O propanolol é uma boa opção como tratamento profilático, uma vez que as crises são recorrentes.
Errada, porque o propranolol pode ser útil na profilaxia da enxaqueca, mas a asma é uma contraindicação ou forte limitação ao uso de beta-bloqueadores não seletivos.
Gabarito: D
O quadro é bem típico de enxaqueca: dor em hemicrânio, forte, pulsátil, com náuseas, vômitos, fotofobia e fonofobia, além de crises repetidas e incapacitantes. Em criança e adolescente, isso costuma aparecer como crise recorrente, muitas vezes com necessidade de pronto atendimento quando a dor vem intensa e com vômitos. O diagnóstico é clínico, e a tomografia de crânio não é o primeiro passo se não houver sinais de alarme, como déficit neurológico, alteração do nível de consciência ou cefaleia progressiva com piora importante do padrão. Na crise aguda, o plantonista pode fazer alívio sintomático com analgésico por via venosa e antiemético, especialmente quando há vômitos e dificuldade de usar medicação oral. Depois, como ela já teve muitas crises e elas são incapacitantes, faz sentido pensar em tratamento profilático. A amitriptilina é uma opção clássica para profilaxia de enxaqueca em pacientes pediátricos, especialmente quando há impacto funcional relevante. Já o propranolol até pode ser usado em profilaxia de enxaqueca em alguns pacientes, mas aqui existe um detalhe importante: a paciente tem asma. E beta-bloqueador não seletivo pode piorar broncoespasmo, então não é uma boa escolha nesse caso. Ou seja, a banca quer que você reconheça duas coisas ao mesmo tempo: crise típica de enxaqueca e escolha terapêutica compatível com o perfil clínico da paciente.