Considerando as normas e os procedimentos para a prevenção de complicações e iatrogenias durante a realização de exame de endoscopia digestiva na rotina diária, assinale a opção correta.
- A)É obrigatório o respeito à suspensão da ingesta alimentar, com jejum mínimo de 12 a 18 horas, podendo o paciente ingerir líquidos claros pelo menos 30 minutos antes do procedimento.
Errada: o jejum para endoscopia alta não é de 12 a 18 horas, e líquidos claros não devem ser ingeridos tão perto assim do procedimento.
- B)O uso de medicações como Ozempic, Victoza ou Saxenda deverá suspenso 72 horas antes do exame, e o paciente deve obedecer a jejum de 12 horas.
Errada: agonistas de GLP-1 não têm essa regra fixa de suspensão por 72 horas e o jejum de 12 horas também não é a orientação padrão.
- C)O propofol é um hipnótico de curta duração e de fácil manuseio pelo endoscopista, por isso é desnecessária a presença, na sala de exame, de anestesista ou de um segundo médico quando esse tipo de medicamento for utilizado na sedação do paciente.
Errada: o propofol exige monitorização e estrutura adequadas, e a presença de profissional habilitado para suporte à sedação não é dispensável por ser uma droga de curta duração.
- D)Em procedimentos de alto risco, como polipectomias em pacientes de baixo risco de trombofilia, a warfarina deve ser suspensa 15 dias antes do procedimento endoscópico.
Errada: a suspensão da warfarina não é feita, em regra, por 15 dias; a conduta depende do risco trombótico e do procedimento, podendo exigir ponte em casos selecionados.
- E)Em procedimentos endoscópicos de alto risco em pacientes de baixo risco de trombofilia, deve-se suspender clopidogrel por 7 dias e manter aspirina se estiver sendo usada concomitantemente.
Certa: em procedimento endoscópico de alto risco e paciente com baixo risco trombótico, suspende-se clopidogrel por cerca de 5 a 7 dias e mantém-se a aspirina se estiver sendo usada.
Gabarito: E
Na endoscopia digestiva, a prevenção de complicações depende muito de três cuidados básicos: jejum adequado, manejo correto da sedação e avaliação de medicamentos que aumentam risco de sangramento. Parece simples, mas é aí que a banca gosta de apertar o parafuso. O jejum para endoscopia alta costuma ser de 6 a 8 horas para sólidos e 2 horas para líquidos claros, não aquelas longas maratonas de 12 a 18 horas da alternativa A. Outro ponto clássico é o controle de fármacos. Em procedimentos endoscópicos de alto risco, como polipectomia, a conduta com antiagregantes depende do risco trombótico do paciente. Se o risco trombótico é baixo, suspende-se o clopidogrel cerca de 5 a 7 dias antes, porque ele impede a função plaquetária e aumenta o sangramento. A aspirina, quando usada junto, em geral é mantida, pois a suspensão isolada costuma trazer mais prejuízo do que benefício na maioria dos cenários. É por isso que o gabarito é a letra E: em procedimento de alto risco e paciente com baixo risco de trombose, a estratégia correta é parar o clopidogrel por alguns dias e preservar a aspirina se já estiver em uso. Essa orientação é compatível com consensos e diretrizes de sociedades de endoscopia e gastroenterologia sobre manejo de antiagregantes em procedimentos com risco hemorrágico. As demais opções tentam misturar conceitos verdadeiros com detalhes errados. A banca adora esse tipo de “quase certo”, porque quem decorou pela metade cai fácil. Aqui, o segredo é lembrar: jejum exagerado não é regra, propofol não elimina necessidade de suporte adequado, e warfarina não é suspensa por prazo arbitrário sem avaliar risco e reposição.