Uma paciente do sexo feminino, com 20 anos de idade foi encaminhada para avaliação especializada com possível diagnóstico de pseudocrises. Durante os episódios, ela perdia o tônus muscular e caía no chão subitamente, sendo incapaz de se mover por 40-50 segundos. Esses episódios frequentemente eram precedidos por desencadeantes emocionais, frequentemente de risos. Estava sempre consciente durante os eventos. Relatou, ainda, sentir muito sono, com vários episódios em que adormecia durante o dia e, ao acordar, sentia-se revigorada. Na situação hipotética exposta, o diagnóstico mais provável para a paciente em tela é
- A)crise não epiléptica psicogênica (CNEP).
Errada, porque crise não epiléptica psicogênica não explica a sonolência diurna com adormecimento repetido e melhora ao despertar, além de a emoção desencadear cataplexia típica.
- B)distúrbio de conversão.
Errada, pois distúrbio de conversão não justifica o padrão clássico de sonolência diurna excessiva associado a perda súbita de tônus com consciência preservada.
- C)narcolepsia com cataplexia.
Certa, porque a paciente tem sonolência diurna excessiva e episódios de cataplexia desencadeados por riso, quadro muito sugestivo de narcolepsia.
- D)síndrome de Klein-Levin.
Errada, já que a síndrome de Klein-Levin causa episódios prolongados de hipersonia com alterações comportamentais, e não cataplexia desencadeada por emoção.
- E)hipersonia idiopática.
Errada, porque hipersonia idiopática cursa com sono excessivo e despertar não reparador, mas não com cataplexia típica nem perda súbita de tônus após riso.
Gabarito: C
O quadro descrito aponta para narcolepsia com cataplexia. A pista mais importante é a queda súbita do tônus muscular, geralmente desencadeada por emoção forte, como riso, com preservação da consciência. Isso não é desmaio, nem crise epiléptica clássica, porque a paciente permanece consciente e o episódio dura pouco, com recuperação rápida. Na narcolepsia, é comum a sonolência diurna excessiva: a pessoa adormece várias vezes ao longo do dia e, ao acordar, costuma se sentir revigorada. Esse detalhe é quase uma assinatura do problema. Já a cataplexia é justamente essa perda abrupta de tônus muscular, geralmente ligada a emoção, e pode parecer uma "pseudocrise" para quem vê de fora. A alternativa C fica correta porque junta os dois elementos do caso: sonolência diurna importante e episódios de cataplexia provocados por emoção. Em prova, isso costuma aparecer como a clássica combinação de "sono demais + queda ao rir". Quando você vê essa dupla, pense em narcolepsia antes de sair caçando diagnóstico psiquiátrico. As outras opções tentam confundir com quadros psicogênicos ou hipersonias, mas o conjunto clínico aqui é bem típico de transtorno do sono. Não há fundamento legal específico nesse tema, porque é matéria de neurologia clínica, guiada por critérios diagnósticos médicos, como os da Classificação Internacional dos Transtornos do Sono.