Doenças sistêmicas e endocrinometabólicas podem afetar o sistema cardiovascular de diversas formas. Assinale a opção correta a respeito de alterações cardiometabólicas e de doenças sistêmicas com repercussões cardiovasculares e seus tratamentos.
- A)A obesidade é um fator de risco para doenças cardiovasculares ateroscleróticas, mas seu tratamento deve ser restrito a intervenções no estilo de vida do paciente, já que medicações para perda de peso aumentam o risco cardiovascular.
Errada: a obesidade deve ser tratada com mudança de estilo de vida e, quando indicado, também com farmacoterapia e até cirurgia bariátrica, pois alguns medicamentos para perda de peso reduzem, e não aumentam, o risco cardiovascular em pacientes selecionados.
- B)O diabetes melito é um fator causal de insuficiência cardíaca (cardiomiopatia diabética), mas o uso de medicação hipoglicemiante inibidora de SGLT2 é capaz de reduzir o risco de hospitalização por insuficiência cardíaca.
Certa: o diabetes melito pode causar cardiomiopatia diabética e insuficiência cardíaca, e os inibidores de SGLT2 reduzem hospitalização por insuficiência cardíaca e trazem benefício cardiovascular comprovado.
- C)O lúpus eritematoso sistêmico é considerado um fator de risco independente para doenças cardiovasculares, mas o uso de corticoides em altas doses para controle da doença é capaz de melhorar o perfil metabólico, reduzindo o risco de doenças ateroscleróticas.
Errada: o lúpus eritematoso sistêmico realmente aumenta o risco cardiovascular, mas corticoide em alta dose tende a piorar perfil metabólico, pressão e risco aterosclerótico, não a reduzir.
- D)Tanto a obesidade quanto o sobrepeso são fatores relacionados à elevação da pressão arterial, no entanto a perda de peso em pacientes hipertensos apenas com sobrepeso não gera redução da pressão arterial.
Errada: sobrepeso e obesidade se associam a hipertensão, e a perda de peso em pacientes com sobrepeso também pode reduzir a pressão arterial.
- E)A doença renal crônica é uma causa de hipertensão secundária, no entanto uma meta de pressão arterial menor que 130 mmHg × 80 mmHg deve ser evitada, independentemente de o paciente realizar diálise.
Errada: a doença renal crônica é causa de hipertensão secundária, mas metas pressóricas abaixo de 130/80 mmHg podem ser desejáveis em muitos pacientes, inclusive com doença renal, conforme individualização clínica e diretrizes.
Gabarito: B
As doenças cardiometabólicas andam em bloco: obesidade, diabetes, doença renal crônica e doenças inflamatórias sistêmicas podem aumentar o risco cardiovascular por vias diferentes, como inflamação crônica, disfunção endotelial, hipertensão e aterosclerose acelerada. Em prova, a banca gosta de misturar o diagnóstico da doença com a consequência cardiovascular e, depois, colocar uma afirmação exagerada sobre tratamento para ver se você cai na armadilha.