Um jovem de 19 anos de idade foi atendido com queixa de dispneia e chiado no peito. Ele observou que os sintomas pioravam quando se exercitava nas manhãs frias ou tinha contato com cães. Ele tinha histórico de rinite até três anos atrás e eczema na infância. O resultado do exame físico foi normal. A prova de função pulmonar demonstrou: VEF1 de 2,6 (78% do previsto); CVF de 3,81 L (97% do previsto); e um VEF1/CVF de 68% (86% do previsto), com aumento do VEF1 para 3,0 L (12,4%) após a administração de salbutamol. A respeito desse caso clínico hipotético, é correto afirmar que
- A)o resultado de uma radiografia de tórax nesse caso provavelmente será anormal.
Errada, porque na asma a radiografia de tórax frequentemente é normal e só mostra alterações inespecíficas em crises ou complicações.
- B)os betabloqueadores não cardiosseletivos por via oral e as formulações oftálmicas com betabloqueadores estão contraindicadas.
Certa, porque betabloqueadores não cardiosseletivos, inclusive colírios, podem provocar broncoespasmo e são evitados em asmáticos.
- C)a confirmação do diagnóstico exigirá teste de broncoprovocação com metacolina.
Errada, porque a espirometria com obstrução e reversibilidade já é suficiente para confirmar o diagnóstico na maioria dos casos.
- D)a mortalidade devido à doença caracterizada nesse caso tem aumentado na última década.
Errada, porque a mortalidade por asma não tem aumentado na última década; em geral, houve melhora do controle e da sobrevida.
- E)a fração exalada de óxido nítrico (FeNO) determinará a decisão de iniciar ou não corticoterapia.
Errada, porque o FeNO pode apoiar a avaliação inflamatória, mas não define sozinho a decisão de iniciar corticoide.
Gabarito: B
O caso é bem típico de asma: jovem, história de atopia (rinite e eczema), sintomas que pioram com exercício, ar frio e contato com animais, além de espirometria mostrando obstrução ao fluxo aéreo com resposta broncodilatadora significativa. Em geral, fala-se em asma quando há limitação variável do fluxo aéreo e melhora após broncodilatador. Aqui, o aumento do VEF1 em 12,4% após salbutamol já ajuda bastante a fechar o diagnóstico, sem precisar inventar moda com exames extras. A alternativa B está correta porque os betabloqueadores não cardiosseletivos podem precipitar broncoespasmo em pacientes asmáticos, inclusive quando usados por via oral. As formulações oftálmicas também não são inocentes: o colírio pode ser absorvido sistemicamente e desencadear broncoconstrição. Na prática, isso é um clássico de prova e um cuidado real do dia a dia. As demais alternativas tentam confundir você com exames ou afirmações gerais sobre a doença. A asma muitas vezes tem radiografia de tórax normal, metacolina não é obrigatória quando a espirometria já mostrou reversibilidade, a mortalidade por asma não vem aumentando de forma geral na última década, e o FeNO pode ajudar na avaliação de inflamação tipo 2, mas não decide sozinho se você vai iniciar corticoide. Ou seja, o raciocínio aqui é mais clínico do que “caça ao exame”.