A respeito das artrites microcristalinas, assinale a opção correta.
- A)Entre os medicamentos que aumentam o risco de gota em virtude da diminuição da excreção renal do ácido úrico estão os diuréticos tiazídicos e de alça, o ácido acetilsalicílico em dose baixa (60 a 300 mg/dia), o ácido nicotínico, os betabloqueadores e os bloqueadores dos receptores de angiotensina não losartana.
Certa: diuréticos, AAS em baixa dose, ácido nicotínico e alguns anti-hipertensivos podem reduzir a excreção renal de ácido úrico e aumentar o risco de gota.
- B)A herança genética da gota é predominantemente monogênica e calcula-se que essa contribuição genética seja responsável pela maior parte da variação da uricemia.
Errada: a gota tem forte componente genético, mas a herança não é predominantemente monogênica e a maior parte da variação da uricemia é multifatorial.
- C)O aumento do consumo de álcool eleva o risco de gota, entretanto, não há evidência de gradiente dose-resposta; o álcool aumenta a produção de ácido úrico pela degradação de trifosfato de adenosina (ATP) em monofosfato de adenosina (AMP) e pelo aumento de sua secreção renal no túbulo proximal.
Errada: o álcool realmente aumenta o risco de gota e existe evidência de relação dose-resposta; além disso, ele também favorece a hiperuricemia por outros mecanismos metabólicos e renais.
- D)Nos seres humanos, 20% do pool de ácido úrico deriva do metabolismo das purinas endógenas, a partir do catabolismo dos ácidos nucleicos celulares e da biossíntese de novo das purinas, enquanto 80% advêm do catabolismo das purinas alimentares.
Errada: a maior parte do ácido úrico deriva do metabolismo endógeno, e não das purinas alimentares.
- E)O ácido úrico é um ácido orgânico forte existente nos fluidos corporais, com pH em torno de 2,4, sendo a hiperuricemia causada principalmente pela dieta e pelo aumento da produção endógena, responsáveis por aproximadamente 50% a 60% dos casos.
Errada: o ácido úrico não é um ácido forte nem tem pH em torno de 2,4, e a hiperuricemia não se explica principalmente por dieta e aumento de produção.
Gabarito: A
As artrites microcristalinas mais cobradas em prova são gota e pseudogota. Na gota, o problema central é o acúmulo de urato monosódico, geralmente por redução da excreção renal de ácido úrico, e isso faz a banca adorar questões sobre medicamentos, álcool, dieta e fisiopatologia. Em resumo: nem tudo que sobe ácido úrico é culpa da feijoada, e nem todo remédio “inocente” é tão inocente assim. A alternativa A está correta porque vários medicamentos diminuem a excreção renal do ácido úrico e, portanto, aumentam o risco de gota. Entre eles estão os diuréticos tiazídicos e de alça, o ácido acetilsalicílico em baixa dose, o ácido nicotínico, alguns betabloqueadores e os bloqueadores do sistema renina-angiotensina que não são losartana. A losartana é a exceção clássica, pois pode ter efeito uricosúrico. As demais alternativas erram em pontos clássicos: a gota não é predominantemente monogênica; o álcool realmente aumenta o risco e há relação dose-resposta; a maior parte do ácido úrico vem do metabolismo endógeno, não da dieta; e o ácido úrico não é um ácido forte com pH 2,4. Em provas, vale lembrar que hiperuricemia costuma decorrer mais de baixa excreção renal do que de superprodução. Então, a lógica da questão é simples: se o fármaco reduz a depuração renal do urato, ele pode empurrar o paciente para a gota. A CESPE gosta exatamente desse tipo de detalhe farmacológico misturado com fisiopatologia.