Um adolescente do sexo masculino, com história de impactação alimentar recorrente, compareceu ao hospital para exame de endoscopia digestiva alta que revelou mucosa esofágica com estrias e alguns raros pontos esbranquiçados. Na situação hipotética apresentada, a realização de biópsia confirma o diagnóstico de esofagite eosinofílica caso haja evidências de
- A)infiltrado neutrofílico com granuloma.
Errada: infiltrado neutrofílico com granuloma sugere outros processos inflamatórios ou infecciosos, não esofagite eosinofílica.
- B)infiltrado eosinofílico com 5 eosinófilos por campo de grande aumento.
Errada: 5 eosinófilos por campo de grande aumento é abaixo do ponto de corte diagnóstico clássico.
- C)infiltrado eosinofílico com 20 eosinófilos por campo de grande aumento.
Certa: a esofagite eosinofílica é confirmada por infiltrado eosinofílico acima do limiar diagnóstico, que é em torno de 15 eosinófilos por campo de grande aumento.
- D)flebite obliterativa com plasmocitose basal.
Errada: flebite obliterativa com plasmocitose basal não é achado típico de esofagite eosinofílica.
- E)espessamento mural com deposição de colágeno.
Errada: espessamento mural com deposição de colágeno lembra processos fibroinflamatórios, mas não confirma esse diagnóstico.
Gabarito: C
A esofagite eosinofílica é uma causa clássica de disfagia e impactação alimentar recorrente em jovens, especialmente do sexo masculino, e costuma aparecer na endoscopia com estrias longitudinais, anéis, exsudatos esbranquiçados e, às vezes, edema e sulcos. O detalhe importante é que a aparência endoscópica ajuda a suspeitar, mas o diagnóstico de verdade vem da biópsia. Em concurso, isso é quase um convite para lembrar que o achado histológico central é infiltrado eosinofílico na mucosa esofágica. O ponto de corte mais cobrado é de 15 eosinófilos por campo de grande aumento, em geral em pelo menos uma amostra da biópsia, na presença de sintomas compatíveis e após excluir outras causas de eosinofilia esofágica. Como a alternativa da prova fala em 20 eosinófilos por campo de grande aumento, ela está acima desse limiar e, portanto, encaixa no diagnóstico. A banca gosta de testar justamente esse número, então vale guardar como quem guarda senha de banco. Os sintomas típicos incluem disfagia, impactação de bolo alimentar, dor retroesternal e, em crianças, recusa alimentar e vômitos. A associação com atopia também é frequente, embora não seja obrigatória. O tratamento costuma envolver inibidor de bomba de prótons, corticoide tópico deglutido e dieta de eliminação, conforme o caso e a avaliação especializada. Resumindo: adolescente com impactação alimentar recorrente + endoscopia com estrias e pontos esbranquiçados + biópsia com muitos eosinófilos = esofagite eosinofílica. Em prova, o número-chave é lembrar que a confirmação histológica exige contagem acima do limiar clássico de 15 eosinófilos por campo de grande aumento.