A córnea, o tecido transparente que cobre a parte frontal do olho, é um dos tecidos mais densamente inervados do corpo e atua como uma barreira estrutural, protegendo o olho contra infecções. Em relação à córnea e à inervação corneana, assinale a opção correta.
- A)Os nervos corneanos do sistema nervoso autônomo protegem a córnea de lesões, desencadeando reflexos de lacrimejamento e piscar, e também regulam a renovação epitelial da córnea.
Errada: os reflexos de lacrimejamento e piscar dependem de aferência sensitiva trigeminal, não de nervos do sistema autônomo, embora o SNA participe da regulação da superfície ocular.
- B)A sensibilidade corneana é derivada do ramo supraorbitário da primeira divisão (oftálmica) do nervo trigêmeo.
Errada: a sensibilidade corneana vem principalmente dos nervos ciliares longos, ramos da divisão oftálmica do trigêmeo, e não do ramo supraorbitário.
- C)As fibras nervosas sensitivas perfuram a camada de Bowman e formam um denso plexo nervoso logo abaixo da camada de células epiteliais basais.
Certa: as fibras sensitivas corneanas atravessam a camada de Bowman e formam um plexo nervoso subepitelial denso logo abaixo das células epiteliais basais.
- D)O estesiômetro de Cochet-Bonnet aplica um estímulo sucessivo na córnea com encurtamento gradual de filamentos de náilon até que o paciente relate uma sensação; quanto menor o comprimento do filamento que provoca a sensação, mais sensível é a córnea.
Errada: no Cochet-Bonnet, quanto menor o comprimento do filamento que ainda gera sensação, maior a sensibilidade corneana, não menor.
- E)Pacientes com diabetes apresentam aumento acentuado na densidade neuronal do plexo nervoso corneano, diminuição da ramificação nervosa e aumento da tortuosidade nervosa em comparação com a córnea saudável.
Errada: no diabetes ocorre, em geral, redução da densidade neuronal e da ramificação nervosa, com aumento da tortuosidade, e não aumento acentuado da densidade.
Gabarito: C
A córnea é uma estrutura muito sensível porque recebe inervação sensitiva intensa, principalmente por fibras do nervo trigêmeo, via ramo oftálmico, com destaque para o nervo nasociliar e seus ramos ciliares longos. Essa inervação não serve só para "sentir dor": ela participa do reflexo de piscar, do lacrimejamento e da manutenção da saúde da superfície ocular. Quando a córnea perde sensibilidade, a proteção fica pior e o risco de lesão aumenta. No trajeto corneano, as fibras sensitivas entram pela periferia, atravessam a camada de Bowman e formam plexos nervosos subepiteliais, próximos ao epitélio, o que explica a grande capacidade de detectar estímulos mínimos. É por isso que qualquer coisa ali costuma incomodar bastante - a córnea é pequena, mas faz muito barulho quando irritada. O item C descreve exatamente essa organização anatômica: as fibras sensitivas perfuram a camada de Bowman e formam um plexo denso logo abaixo das células epiteliais basais. Isso está de acordo com a anatomia clássica da córnea e com a fisiologia da sensibilidade corneana. Vale lembrar que o estesiômetro de Cochet-Bonnet mede sensibilidade por um filamento de náilon que vai sendo encurtado: quanto menor o comprimento necessário para provocar sensação, maior a sensibilidade. Em diabetes, o esperado é neuropatia corneana com redução da densidade nervosa e alterações como menor ramificação e maior tortuosidade, e não aumento acentuado da densidade.