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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Medicina

Um paciente com vinte e seis anos de idade procurou consultório urológico, onde referiu aumento do testículo direito há 3 meses. No exame, palpou-se nódulo de consistência discretamente endurecida, indolor. Foram solicitados exames de imagem e laboratoriais, e indicada a cirurgia, que confirmou tratar-se de tumor de testículo. À luz das informações pertinentes ao caso clínico hipotético anterior, assinale a opção correta.

Gabarito: E

Tumor testicular em homem jovem, com aumento indolor e nódulo endurecido, faz você pensar primeiro em neoplasia germinativa até prova em contrário. Nesses casos, os marcadores séricos mais úteis são alfa-fetoproteína (AFP), beta-hCG e LDH. Eles ajudam no diagnóstico, no estadiamento e no acompanhamento, mas não substituem a confirmação anatomopatológica após a orquiectomia inguinal, que é a via correta de abordagem do testículo suspeito. A divisão prática aqui é simples: os seminomas puros não elevam AFP. Se a AFP está elevada, você deve tratar o tumor como não seminomatoso, mesmo que haja componente seminomatoso na histologia. Isso ocorre porque AFP é produzida por elementos do saco vitelino e por tumores não seminomatosos, não por seminoma puro. Já a beta-hCG pode subir em seminoma e em não seminoma, então ela não resolve sozinha a classificação. Outro ponto clássico de prova: não se faz biópsia transescrotal do nódulo testicular suspeito, porque isso pode espalhar células tumorais e alterar a drenagem linfática. O procedimento padrão é a orquiectomia radical por via inguinal. A banca adora testar esse detalhe como se fosse uma armadilha com jaleco. Por fim, o prognóstico também costuma ser cobrado ao contrário: seminomas, em geral, têm comportamento mais favorável e maior sensibilidade à radioterapia e quimioterapia. Então, quando a questão fala que AFP elevada é restrita aos tumores não seminomatosos e que eles têm pior prognóstico que os seminomas, ela está alinhada com a conduta e a fisiopatologia clássicas.

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