Um paciente com vinte e seis anos de idade procurou consultório urológico, onde referiu aumento do testículo direito há 3 meses. No exame, palpou-se nódulo de consistência discretamente endurecida, indolor. Foram solicitados exames de imagem e laboratoriais, e indicada a cirurgia, que confirmou tratar-se de tumor de testículo. À luz das informações pertinentes ao caso clínico hipotético anterior, assinale a opção correta.
- A)Os marcadores tumorais séricos que devem ser solicitados na suspeita de neoplasia de testículo são CEA (antígeno carcinoembrionário), CA-125 e alfa-fetoproteína.
Errada, porque os marcadores séricos clássicos na suspeita de tumor testicular são AFP, beta-hCG e LDH, não CEA e CA-125.
- B)Quando, na histopatologia, são encontrados elementos seminomatosos e não seminomatosos no testículo, ou quando a concentração de alfa-fetoproteína é elevada, o tumor deve ser tratado como um padrão seminomatoso.
Errada, porque AFP elevada afasta seminoma puro e faz o tumor ser tratado como não seminomatoso, mesmo que exista componente seminomatoso na histologia.
- C)A conduta adequada, após exames de imagem sugestivos de neoplasia e marcadores positivos, é a biópsia transcutânea escrotal do nódulo testicular para definição do diagnóstico.
Errada, porque a biópsia transescrotal é contraindicada na suspeita de neoplasia testicular; a abordagem correta é a orquiectomia radical por via inguinal.
- D)Os tumores seminomatosos são mais agressivos que os não seminomatosos.
Errada, porque os seminomas costumam ter melhor prognóstico do que os tumores não seminomatosos.
- E)A presença de alfa-fetoproteína elevada é restrita a tumores não seminomatosos, que têm pior prognóstico em relação aos seminomatosos.
Certa, porque AFP elevada é típica de tumores não seminomatosos, e esses, em geral, têm pior prognóstico do que os seminomas.
Gabarito: E
Tumor testicular em homem jovem, com aumento indolor e nódulo endurecido, faz você pensar primeiro em neoplasia germinativa até prova em contrário. Nesses casos, os marcadores séricos mais úteis são alfa-fetoproteína (AFP), beta-hCG e LDH. Eles ajudam no diagnóstico, no estadiamento e no acompanhamento, mas não substituem a confirmação anatomopatológica após a orquiectomia inguinal, que é a via correta de abordagem do testículo suspeito. A divisão prática aqui é simples: os seminomas puros não elevam AFP. Se a AFP está elevada, você deve tratar o tumor como não seminomatoso, mesmo que haja componente seminomatoso na histologia. Isso ocorre porque AFP é produzida por elementos do saco vitelino e por tumores não seminomatosos, não por seminoma puro. Já a beta-hCG pode subir em seminoma e em não seminoma, então ela não resolve sozinha a classificação. Outro ponto clássico de prova: não se faz biópsia transescrotal do nódulo testicular suspeito, porque isso pode espalhar células tumorais e alterar a drenagem linfática. O procedimento padrão é a orquiectomia radical por via inguinal. A banca adora testar esse detalhe como se fosse uma armadilha com jaleco. Por fim, o prognóstico também costuma ser cobrado ao contrário: seminomas, em geral, têm comportamento mais favorável e maior sensibilidade à radioterapia e quimioterapia. Então, quando a questão fala que AFP elevada é restrita aos tumores não seminomatosos e que eles têm pior prognóstico que os seminomas, ela está alinhada com a conduta e a fisiopatologia clássicas.