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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Medicina

Criança de 8 anos de idade, branca, sexo feminino, foi levada pela mãe para consulta de rotina na unidade básica de saúde (UBS). No exame físico, a menina encontrava-se bem, eutrófica, normocorada e com desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Ausculta cardíaca e respiratória normais. Vacinação em dia e alimentação relatada como diversa e adequada. A mãe solicitou ao médico um hemograma completo, para saber se a filha estava anêmica, e informou que a filha faz esse exame rotineiramente por orientação de médico anterior que atendia a criança. O resultado do último exame do ano anterior mostrou Hb = 12,5. A respeito desse caso clínico, assinale a opção correta, referente à conduta mais adequada.

Gabarito: A

Em criança assintomática, com exame físico normal, crescimento e desenvolvimento adequados e alimentação boa, não existe boa razão para sair pedindo hemograma “de rotina” só para ver se há anemia. A lógica da Atenção Primária é rastrear quando há benefício comprovado, e rastreamento populacional de anemia nessa faixa etária, sem fatores de risco ou sinais clínicos, não é recomendado de forma geral. Em outras palavras: exame laboratorial não é suvenir de consulta, ele precisa ter indicação. Neste caso, a menina tem 8 anos, está bem, normocorada e com vacinação e alimentação em dia. O hemograma anterior mostrou Hb 12,5 g/dL, valor compatível com normalidade para a idade, então isso não sugere anemia. Hemoglobina abaixo de 13 g/dL não define anemia em criança escolar de forma automática; os pontos de corte variam com idade, sexo e contexto clínico. Também não há motivo para sulfato ferroso profilático só porque “logo vai menstruar”, já que menarca ainda não é indicação isolada para ferro, muito menos com criança assintomática e sem evidência de deficiência. E pedir uma bateria de exames de rastreio, como ferro sérico, parasitológico e EAS, sem suspeita clínica, costuma virar caça ao mosquito com canhão. Por isso, a conduta mais adequada é reconhecer que o hemograma solicitado é desnecessário no momento. Na APS, o médico de família age com racionalidade clínica: pergunta, examina, identifica risco e só depois solicita exame. Isso está muito alinhado com os princípios do SUS e com a prática baseada em evidências.

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