Em relação a patologias e queixas recorrentes em serviços de urgência, assinale a opção correta.
- A)A vertigem posicional paroxística benigna é causa comum de tontura recorrente, cujos episódios são demorados, durando cerca de 30 a 40 minutos.
Errada: a vertigem posicional paroxística benigna causa crises breves, em geral de segundos, e não episódios demorados de 30 a 40 minutos.
- B)Na enxaqueca vestibular, a tontura ou vertigem se manifesta tipicamente em episódios recorrentes e curtos, cuja duração costuma ser inferior a um minuto.
Errada: a enxaqueca vestibular costuma ter crises de duração bem maior, geralmente minutos a horas, e não vertigem típica inferior a um minuto.
- C)A etiopatogenia de rinossinusite aguda está associada, na maioria das vezes, às bactérias anaeróbias, as quais, porém, desempenham um papel etiológico muito pequeno na rinossinusite crônica.
Errada: na rinossinusite aguda, vírus são os principais agentes, e os anaeróbios não são a causa mais frequente; na crônica, o perfil etiológico é mais complexo do que essa simplificação.
- D)Quadro de urticária recorrente, envolvendo com frequência as nádegas e os punhos, é a manifestação cutânea mais comum relatada por pacientes portadores de ancilostomíase.
Errada: prurido e lesões cutâneas em ancilostomíase podem ocorrer, mas urticária recorrente em nádegas e punhos não é a manifestação cutânea clássica mais comum.
- E)A perda de olfato associada à rinossinusite crônica, quadro muito frequente em serviço de pronto-atendimento, está relacionada à gravidade da inflamação, sendo a perda olfativa maior nos casos em que estejam presentes tanto a rinossinusite quanto a polipose.
Certa: na rinossinusite crônica, a perda olfativa se relaciona à gravidade da inflamação e tende a ser maior quando há polipose nasal associada.
Gabarito: E
A queixa de tontura é muito comum no pronto-atendimento, mas o segredo da questão é saber separar as causas pelo tempo de duração dos sintomas e pelos sinais associados. A vertigem posicional paroxística benigna, por exemplo, costuma dar crises breves, desencadeadas por mudanças de posição da cabeça, e não episódios longos de 30 a 40 minutos. Já a enxaqueca vestibular pode cursar com vertigem, mas as crises geralmente duram minutos a horas, e não menos de um minuto. Na rinossinusite, também vale fugir do chute fácil: a rinossinusite aguda é mais ligada a vírus no começo, e quando há bactérias, os agentes mais comuns não são os anaeróbios como regra geral. Na forma crônica, a inflamação persiste e pode haver comprometimento importante da função olfatória, principalmente quando existe polipose nasal associada. É por isso que a alternativa E está correta. A perda de olfato na rinossinusite crônica costuma refletir a intensidade da inflamação local, e o prejuízo é ainda maior quando há pólipos nasais junto com a rinossinusite. Em outras palavras: quanto mais inflamatória e obstrutiva a doença, maior a chance de o paciente chegar dizendo que "não sente cheiro de nada". Esse raciocínio é bem compatível com a prática clínica e com a literatura de otorrinolaringologia: polipose e rinossinusite crônica andam associadas a hiposmia/anosmia mais acentuada, justamente pela obstrução mecânica e pela inflamação da mucosa olfatória.