Assinale a opção correta a respeito de choque em pacientes pediátricos.
- A)A causa mais comum de choque no grupo pediátrico, do ponto de vista da fisiopatologia, é o cardiogênico.
Errada, porque a causa fisiopatológica mais comum de choque em pediatria é a hipovolêmica, seguida da distributiva, e não a cardiogênica.
- B)A condição mais frequente em que pode ocorrer choque obstrutivo em crianças é o tamponamento cardíaco.
Errada, porque o tamponamento cardíaco não é a causa mais frequente de choque obstrutivo em crianças; essa categoria é bem menos comum na pediatria.
- C)As manifestações laboratoriais do choque em crianças são a alcalose metabólica e a redução dos níveis de lactato.
Errada, porque o choque costuma gerar acidose metabólica e elevação do lactato, sinais de hipoperfusão e metabolismo anaeróbio.
- D)Quanto ao nível de consciência, a criança chocada pode apresentar-se agitada ou torporosa. Essas manifestações são secundárias à deficiência na oferta de oxigênio em nível cerebral.
Certa, porque a criança em choque pode ficar agitada ou torporosa por hipoperfusão e baixa oferta de oxigênio ao cérebro.
- E)O choque séptico em crianças cursa, já de início, com hipotensão arterial grave junto aos demais sinais de infecção generalizada.
Errada, porque o choque séptico infantil geralmente começa de forma compensada, com sinais de má perfusão, e a hipotensão aparece mais tardiamente.
Gabarito: D
O choque pediátrico é uma emergência em que a perfusão tecidual cai a ponto de comprometer a entrega de oxigênio aos órgãos. Em crianças, o quadro costuma aparecer primeiro com taquicardia, extremidades frias, enchimento capilar lento e alteração do comportamento, antes mesmo de a pressão cair. Isso acontece porque a criança compensa bem por um tempo, então a hipotensão é um sinal tardio e não o primeiro aviso. No nível neurológico, a criança pode ficar irritada, agitada, confusa ou, nos casos mais graves, torporosa e sonolenta. Esse achado é clássico porque o cérebro é muito sensível à hipoperfusão e à baixa oferta de oxigênio. Por isso, alteração do estado mental em pediatria é um sinal de alerta importante para choque. O gabarito é a letra D porque descreve corretamente essa alteração do nível de consciência como consequência da deficiência de oxigenação cerebral. Na prática, a banca gosta de cobrar que você não confunda choque pediátrico com o adulto: em criança, a piora pode ser silenciosa no início e a mudança de comportamento vale ouro no exame clínico. As demais alternativas trazem erros comuns de prova: chocando a fisiopatologia, o choque em pediatria não é mais frequentemente cardiogênico, nem o choque obstrutivo tem como causa mais frequente o tamponamento cardíaco. Além disso, o choque tende a cursar com acidose metabólica e aumento de lactato, e o choque séptico não começa, em regra, com hipotensão grave, mas com fase compensada, que pode enganar quem olha só a pressão.