Uma mulher de 82 anos de idade, diabética desde os 50 anos de idade, queixava-se de dispneia ao realizar grandes esforços havia seis meses. No exame físico, seus pulsos periféricos mostravam um pico lento e tardio, além de ritmo regular em dois tempos com sopro sistólico IV/VI, mais audível no segundo espaço intercostal à direita, com irradiação para as artérias carótidas. Nesse caso clínico, provavelmente, o que mais pode ter contribuído para o desenvolvimento da lesão cardíaca na paciente é
- A)uma doença subjacente do tecido conjuntivo.
Errada, porque doença do tecido conjuntivo é mais associada a alterações da aorta e insuficiência valvar do que ao quadro típico de estenose aórtica calcificada do idoso.
- B)a existência de válvula aórtica bicúspide congênita.
Errada, porque a valva aórtica bicúspide congênita costuma causar estenose mais precoce, e não é a causa mais provável em uma paciente de 82 anos.
- C)a síndrome de Marfan.
Errada, porque a síndrome de Marfan se relaciona mais com dilatação da raiz da aorta e insuficiência aórtica do que com estenose aórtica degenerativa.
- D)uma cardite reumática.
Errada, porque a cardite reumática é causa clássica de valvopatia, mas o contexto clínico aqui favorece muito mais degeneração calcificada em idosa.
- E)a diabetes melito.
Certa, porque a diabetes melito favorece degeneração e calcificação da valva aórtica, contribuindo para estenose aórtica em idosos.
Gabarito: E
O quadro descreve estenose aórtica: pulso parvus et tardus (pico lento e tardio), sopro sistólico em foco aórtico com irradiação para carótidas e sintomas aos esforços. Em idosos, a causa mais lembrada costuma ser a degeneração calcificada da valva aórtica, que é favorecida por fatores de risco ateroscleróticos, especialmente diabetes melito. A lógica da questão é essa: a paciente já tem 82 anos, então a estenose aórtica degenerativa fica bem na frente das causas congênitas ou inflamatórias. A diabetes acelera processos de inflamação, deposição de cálcio e rigidez valvar, ajudando a transformar uma valva antes funcional em uma valva "travada" e estreita. Em prova, isso aparece como um sopro áspero, sistólico, irradiando para as carótidas, com pulso fraco e tardio. As outras alternativas tentam puxar para causas clássicas de doença valvar, mas o cenário não combina com elas. Marfan e doença do tecido conjuntivo lembram mais dilatação de aorta e insuficiência aórtica; válvula bicúspide é importante, mas costuma se manifestar mais cedo; cardite reumática é causa relevante de doença valvar, porém geralmente com história e perfil diferentes. Aqui, a idade e o fator de risco metabólico apontam para degeneração calcificada associada à diabetes. Então, o gabarito está correto porque a diabetes melito contribui para a calcificação e o espessamento da valva aórtica, favorecendo a estenose aórtica degenerativa em idosos. É aquele tipo de questão em que o corpo da prova já entrega a pista no exame físico, e o resto é só não cair nas iscas.