A nefropatia diabética é a causa mais comum de proteinúria e doença renal em estágio final no mundo. A história natural da nefropatia diabética é dividida em cinco estágios. Em relação às características de cada um desses estágios, assinale a opção correta.
- A)No estágio V, o uso de IECA ou de BRA pode fazer a doença regredir a estágios anteriores.
Errada: em estágio V a doença já está em falência renal avançada, e IECA ou BRA ajudam a retardar progressão, não a fazer regredir para fases anteriores.
- B)O estágio I é definido pela ausência de alterações funcionais, como o aumento do volume renal e microalbuminúria.
Errada: o estágio I não é definido pela ausência de alterações funcionais, porque pode haver hiperfiltração e aumento do volume renal, mesmo sem microalbuminúria.
- C)O estágio II apresenta redução da taxa de filtração glomerular devido à ativação do sistema renina angiotensina aldosterona.
Errada: a redução da TFG não define o estágio II; nessa fase, o quadro clássico ainda pode ser apenas estrutural, sem queda funcional importante.
- D)O estágio III caracteriza-se pela presença de microalbuminúria.
Certa: o estágio III da nefropatia diabética clássica é justamente o da microalbuminúria persistente.
- E)No estágio IV, a taxa de filtração glomerular não apresenta declínio.
Errada: no estágio IV já há nefropatia clínica com proteinúria e costuma haver declínio da taxa de filtração glomerular.
Gabarito: D
A nefropatia diabética costuma ser lembrada pela progressão em cinco estágios, indo de alterações iniciais ainda silenciosas até a insuficiência renal avançada. No começo, pode haver aumento do rim e hiperfiltração, mas sem albuminúria importante; depois surgem as primeiras mudanças laboratoriais discretas, e a doença vai ficando mais evidente com o passar do tempo. O ponto central aqui é que a classificação clássica separa o estágio em que aparece a microalbuminúria do estágio em que a proteinúria já é mais franca e a função renal começa a cair de forma mais nítida. No estágio III da nefropatia diabética clássica, a característica marcante é justamente a presença de microalbuminúria persistente. É a fase em que a lesão renal deixa de ser apenas “silenciosa” e passa a dar um sinal laboratorial precoce. Por isso, a alternativa D está correta. Para organizar a memória: estágio I costuma ter hiperfiltração e hipertrofia renal; estágio II ainda pode ser assintomático, com alterações estruturais e sem microalbuminúria persistente; estágio III traz microalbuminúria; estágio IV corresponde à nefropatia clínica, com proteinúria evidente e declínio da TFG; estágio V é a falência renal, geralmente com necessidade de terapia renal substitutiva. O uso de IECA ou BRA é importante para reduzir proteinúria e retardar progressão, mas não “reverte” de forma confiável um estágio terminal para estágios anteriores.