Acerca de métodos diagnósticos em cardiologia, assinale a opção correta.
- A)Na análise do eletrocardiograma convencional, a presença de onda P com duração aumentada maior que 110 ms, entalhada e bífida nas derivações frontais e com distância de 40 ms entre as suas duas componentes sugere sobrecarga atrial direita.
Errada: onda P larga, entalhada e bífida em derivações frontais sugere sobrecarga atrial esquerda, não direita.
- B)No Holter de 24 h, a detecção de uma redução da variabilidade da frequência cardíaca (VFC) tem sido relacionada com um aumento da mortalidade cardiovascular e, por isso, pode ser usada como marcador prognóstico.
Certa: a redução da variabilidade da frequência cardíaca no Holter se associa a pior prognóstico e maior mortalidade cardiovascular.
- C)A medida do strain miocárdico pela análise ecocardiográfica bidimensional com doppler é um bom parâmetro para avaliação da função miocárdica, porém somente permite detectar disfunção ventricular quando a redução da fração de ejeção (FE) é clinicamente detectável.
Errada: o strain ecocardiográfico pode detectar disfunção miocárdica subclínica, antes mesmo da redução clinicamente evidente da fração de ejeção.
- D)Na realização de cintilografia de perfusão miocárdica com estresse medicamentoso, a ação da adenosina provoca aumento importante da frequência cardíaca, de forma semelhante ao estresse físico proporcionado pela esteira ergométrica.
Errada: a adenosina causa vasodilatação coronariana e costuma aumentar pouco a frequência cardíaca, ao contrário do esforço físico.
- E)Para a realização de um cateterismo cardíaco ou estudo hemodinâmico, o uso de antiagregantes plaquetários deve ser suspenso, temporariamente, 5 dias antes do procedimento, com a finalidade de evitar acidentes hemorrágicos.
Errada: não existe regra fixa de suspender antiagregantes 5 dias antes para todo cateterismo ou estudo hemodinâmico; a conduta depende do tipo de procedimento e do risco trombótico/hemorrágico.
Gabarito: B
Na cardiologia, os métodos diagnósticos não servem só para "ver" o coração, mas também para estimar risco e prognóstico. O Holter de 24 horas, por exemplo, avalia ritmo, arritmias e também a variabilidade da frequência cardíaca (VFC), que reflete o equilíbrio autonômico entre simpático e parassimpático. Quando essa variabilidade está reduzida, isso costuma indicar pior adaptação cardiovascular e maior risco de eventos e morte, especialmente em contextos como pós-infarto e cardiopatia estrutural. Por isso, a alternativa B está correta: a redução da VFC no Holter tem associação com aumento da mortalidade cardiovascular e pode ser usada como marcador prognóstico. Em termos práticos, quanto mais "engessado" o comportamento dos intervalos RR, pior costuma ser o sinal prognóstico. Não é um exame mágico, mas ajuda bastante a estratificar risco. As demais opções misturam conceitos de ECG, ecocardiografia, cintilografia e hemodinâmica com algumas inversões clássicas. A banca gosta muito de trocar sobrecarga atrial direita por esquerda, confundir resposta da adenosina com exercício e exagerar regras de suspensão de antiagregantes sem individualizar o procedimento. Em prova, esse tipo de detalhe faz muita diferença.