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Medicina · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Medicina

Um paciente com sessenta e cinco anos de idade, tabagista e com IMC de 35, deu entrada no ambulatório com quadro de hematúria macroscópica indolor. Foi solicitada ultrassonografia que mostrou imagem de nódulo fixo na mucosa vesical de 2 cm. Com relação a esse caso clínico hipotético e a aspectos a ele relacionados, assinale a opção correta.

Gabarito: A

Hematúria macroscópica indolor em homem idoso tabagista acende o alerta clássico para câncer de bexiga, especialmente carcinoma urotelial. A ultrassonografia com nódulo fixo na mucosa vesical sugere lesão intravesical e o próximo passo diagnóstico, em geral, é a cistoscopia com ressecção transuretral da lesão para confirmar histologia e estadiar a doença. Como em oncologia o detalhe manda, o tratamento e o seguimento variam muito conforme o grau e a profundidade da invasão. Na bexiga, a maioria dos tumores é do tipo urotelial, e não adenocarcinoma. Tumores superficiais podem ser tratados com ressecção transuretral e, em casos selecionados, terapia intravesical. Já os de alto risco costumam exigir BCG intravesical, que é um dos pilares clássicos do tratamento adjuvante. O problema é que, em cenário de escassez de BCG, várias diretrizes aceitam alternativas intravesicais, e a gencitabina aparece como opção razoável, especialmente quando não há BCG disponível ou o paciente não tolera o esquema padrão. Por isso o item A está correto: na falta de onco-BCG, a quimioterapia intravesical com gencitabina pode ser recomendada como alternativa. Isso é compatível com a prática atual e com recomendações de sociedades urológicas em situações de indisponibilidade do BCG. Em prova, pense assim: se a banca fala em BCG faltando e pergunta a substituição, gencitabina costuma entrar no radar. As demais alternativas derrapam em conceitos básicos: confundem histologia, subestimam risco de lesões de alto grau, erram o significado de T1 e descrevem o carcinoma in situ ao contrário do que ele realmente é. Em urologia, a banca adora trocar uma palavrinha e transformar um tumor de alto risco em um "só acompanhar", justamente para ver se você não cai na armadilha.

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