Um paciente com sessenta e cinco anos de idade, tabagista e com IMC de 35, deu entrada no ambulatório com quadro de hematúria macroscópica indolor. Foi solicitada ultrassonografia que mostrou imagem de nódulo fixo na mucosa vesical de 2 cm. Com relação a esse caso clínico hipotético e a aspectos a ele relacionados, assinale a opção correta.
- A)No cenário atual de escassez de onco-BCG, pode-se recomendar como alternativa a quimioterapia intravesical com gencitabina.
Certa: diante da escassez de BCG, a gencitabina intravesical é uma alternativa aceita para tratamento adjuvante em cenários selecionados.
- B)Mais da metade dos tumores de bexiga que se apresentam com hematúria macroscópica são músculo-invasivos e sua histologia mais comum são os adenocarcinomas.
Errada: a maioria dos tumores vesicais com hematúria é urotelial e muitos são não músculo-invasivos; adenocarcinoma é histologia rara.
- C)Após a ressecção completa de um carcinoma papilífero de alto grau superficial, sem invasão do tecido conjuntivo subepitelial (Ta), a conduta adequada é o acompanhamento semestral com exames laboratoriais, ultrassonografia e a realização de cistoscopia anual por 5 anos.
Errada: carcinoma papilífero Ta de alto grau não é caso de seguimento tão simplificado, pois o risco de recorrência e progressão é maior e costuma exigir vigilância cistoscópica mais estreita.
- D)Tumores T1 (que invadem a camada basal sem acometimento da camada muscular própria da bexiga) com variante micropapilar têm bom prognóstico e sua ressecção transuretral seguida de acompanhamento cistoscópico é a conduta indicada.
Errada: T1 invade a lâmina própria, não a camada basal, e variante micropapilar é achado de alto risco, não de bom prognóstico.
- E)O carcinoma in situ é um tumor plano que não invade a lâmina própria e que, por definição, é de baixo grau e associado a bom prognóstico.
Errada: carcinoma in situ é lesão plana de alto grau, agressiva e associada a maior risco, não tumor de baixo grau nem de bom prognóstico.
Gabarito: A
Hematúria macroscópica indolor em homem idoso tabagista acende o alerta clássico para câncer de bexiga, especialmente carcinoma urotelial. A ultrassonografia com nódulo fixo na mucosa vesical sugere lesão intravesical e o próximo passo diagnóstico, em geral, é a cistoscopia com ressecção transuretral da lesão para confirmar histologia e estadiar a doença. Como em oncologia o detalhe manda, o tratamento e o seguimento variam muito conforme o grau e a profundidade da invasão. Na bexiga, a maioria dos tumores é do tipo urotelial, e não adenocarcinoma. Tumores superficiais podem ser tratados com ressecção transuretral e, em casos selecionados, terapia intravesical. Já os de alto risco costumam exigir BCG intravesical, que é um dos pilares clássicos do tratamento adjuvante. O problema é que, em cenário de escassez de BCG, várias diretrizes aceitam alternativas intravesicais, e a gencitabina aparece como opção razoável, especialmente quando não há BCG disponível ou o paciente não tolera o esquema padrão. Por isso o item A está correto: na falta de onco-BCG, a quimioterapia intravesical com gencitabina pode ser recomendada como alternativa. Isso é compatível com a prática atual e com recomendações de sociedades urológicas em situações de indisponibilidade do BCG. Em prova, pense assim: se a banca fala em BCG faltando e pergunta a substituição, gencitabina costuma entrar no radar. As demais alternativas derrapam em conceitos básicos: confundem histologia, subestimam risco de lesões de alto grau, erram o significado de T1 e descrevem o carcinoma in situ ao contrário do que ele realmente é. Em urologia, a banca adora trocar uma palavrinha e transformar um tumor de alto risco em um "só acompanhar", justamente para ver se você não cai na armadilha.