Acerca da doença arterial hipertensiva e suas complicações, assinale a opção correta.
- A)A disfunção diastólica ventricular esquerda, causada por complicação da hipertensão arterial sistêmica, predispõe o paciente a eventos cardiovasculares e insuficiência cardíaca, independentemente da massa cardíaca e dos níveis de pressão arterial.
Certa: a disfunção diastólica do ventrículo esquerdo na hipertensão aumenta risco de eventos cardiovasculares e insuficiência cardíaca, mesmo sem depender apenas da massa cardíaca ou do nível pressórico isolado.
- B)A hipertrofia ventricular do tipo excêntrica é o padrão geométrico mais encontrado na ecocardiografia como complicação da hipertensão arterial sistêmica resistente.
Errada: na hipertensão, o padrão mais típico é a hipertrofia concêntrica, não a excêntrica.
- C)Os aneurismas de Charcot-Bouchard constituem microangiopatias de complicação da hipertensão arterial resistente, sendo causadores de fenômenos isquêmicos e tromboembólicos cerebrais.
Errada: os aneurismas de Charcot-Bouchard se associam a hemorragia intracerebral por hipertensão, e não a fenômenos isquêmicos e tromboembólicos cerebrais.
- D)A hipertensão arterial resistente é sempre a causa da doença renal crônica, e não consequência dela, como se acreditava no passado.
Errada: a hipertensão resistente pode ser causa e também consequência de doença renal crônica, não algo sempre unilateral.
- E)A maioria dos pacientes com hipertensão arterial resistente apresenta, como complicação, isquemia miocárdica detectável.
Errada: isquemia miocárdica pode ocorrer, mas não é a complicação presente na maioria dos pacientes com hipertensão resistente.
Gabarito: A
Na hipertensão arterial sistêmica, o coração costuma pagar a conta primeiro: o ventrículo esquerdo fica sujeito a sobrecarga de pressão, pode desenvolver hipertrofia concêntrica e, com o tempo, aparecer disfunção diastólica. Isso acontece porque a parede fica mais rígida, o relaxamento ventricular piora e o enchimento do coração sofre. Mesmo antes de virar insuficiência cardíaca manifesta, essa alteração já aumenta risco cardiovascular. O ponto central da questão é que a disfunção diastólica ventricular esquerda, como complicação da hipertensão, pode trazer sintomas e eventos cardiovasculares mesmo quando a massa cardíaca e os níveis pressóricos não explicam sozinhos a gravidade do quadro naquele momento. Ou seja, não é só olhar a pressão do dia ou a espessura da parede: a função diastólica importa muito, e bastante. As demais alternativas misturam conceitos. Hipertrofia excêntrica não é o padrão clássico da hipertensão arterial sistêmica, aneurismas de Charcot-Bouchard não são a definição de microangiopatia isquêmica/tromboembólica, e hipertensão resistente não é sinônimo de causa obrigatória de doença renal crônica. Já isquemia miocárdica pode ocorrer em alguns pacientes, mas não é a complicação que aparece na maioria dos casos. Então, o gabarito A está correto porque reconhece uma consequência cardiológica relevante da hipertensão: a disfunção diastólica do ventrículo esquerdo como marcador de risco para insuficiência cardíaca e eventos cardiovasculares.