Com relação ao diagnóstico e tratamento do esôfago de Barrett, assinale a opção correta.
- A)O diagnóstico de esôfago de Barrett é feito com a detecção de epitélio metaplásico intestinal em qualquer segmento da junção esofagogástrica.
Errada, porque o diagnóstico exige metaplasia intestinal especializada no esôfago, e não em qualquer ponto da junção esofagogástrica.
- B)As lesões metaplásicas com extensão entre 3 e 10 cm requerem vigilância endoscópica a cada 3 anos.
Certa, porque segmentos metaplásicos entre 3 e 10 cm são acompanhados com endoscopia a cada 3 anos.
- C)As lesões neoplásicas esofagianas como o carcinoma espinocelular são o tipo celular mais frequente no esôfago de Barrett.
Errada, porque o tipo mais associado ao esôfago de Barrett é o adenocarcinoma, não o carcinoma espinocelular.
- D)A presença de displasia de baixo grau em áreas de metaplasia intestinal indica abordagem cirúrgica por via laparoscópica ante os riscos de adenocarcinoma.
Errada, porque displasia de baixo grau não indica automaticamente cirurgia laparoscópica, sendo comum seguimento e/ou terapias endoscópicas conforme o caso.
- E)A utilização de técnicas abrasivas como o plasma de argônio e a laserterapia podem induzir substituição completa do epitélio metaplásico superficial esofagiano e eliminar os riscos de degeneração neoplásica no futuro.
Errada, porque ablação por plasma de argônio ou laser pode reduzir a metaplasia, mas não elimina com certeza o risco de degeneração neoplásica futura.
Gabarito: B
O esôfago de Barrett é uma metaplasia do epitélio escamoso normal do esôfago por epitélio colunar com metaplasia intestinal, geralmente associada ao refluxo gastroesofágico crônico. Na prática, o diagnóstico depende de endoscopia com biópsia mostrando metaplasia intestinal especializada na mucosa esofágica, e não basta achar tecido “parecido” na junção esofagogástrica sem critério topográfico e histológico. O ponto que mais cai em prova é a vigilância endoscópica. Em segmentos mais longos, o risco de displasia e adenocarcinoma sobe, então o seguimento fica mais próximo. Para lesões metaplásicas com extensão entre 3 e 10 cm, a conduta clássica é vigilância endoscópica a cada 3 anos, exatamente o que a alternativa B descreve. Já o tratamento vai muito além de “queimar a lesão”. O controle do refluxo com medidas clínicas e inibidor de bomba de prótons é base, e, se houver displasia, podem ser indicadas terapias endoscópicas de erradicação, como mucosectomia e ablação. Mas nenhuma técnica zera totalmente o risco futuro de neoplasia, então a vigilância continua sendo importante. Em resumo: Barrett é uma lesão de risco, acompanhada por tamanho do segmento e grau de displasia. A banca gosta de misturar nomes de câncer, intervalo de vigilância e ideia de cura definitiva, para ver se você não cai no canto da sereia.