Ainda com referência à hipertensão arterial sistêmica, assinale a opção correta.
- A)Evidências atuais demonstram que o aldosteronismo primário clássico está presente na maioria dos casos de hipertensão arterial resistente.
Errada: o aldosteronismo primário é uma causa relevante de hipertensão resistente, mas não está presente na maioria dos casos.
- B)Quando a pressão arterial permanece acima do nível desejado (a partir de 140 mmHg × 90 mmHg) apesar do uso de três anti-hipertensivos de diferentes classes, sendo um deles, preferencialmente, um diurético, caracteriza-se a hipertensão arterial resistente não controlada.
Certa: essa é a definição de hipertensão arterial resistente não controlada, com pressão acima da meta apesar de 3 fármacos de classes diferentes, incluindo diurético.
- C)O monitoramento arterial da pressão arterial (MAPA) de 24 h tem a mesma acurácia diagnóstica de hipertensão arterial resistente que a medida ambulatorial seriada.
Errada: MAPA e medida ambulatorial seriada não têm a mesma utilidade diagnóstica para hipertensão resistente, pois cada método tem indicação própria.
- D)A restrição de sódio na dieta para redução da pressão arterial em pacientes com hipertensão arterial é popularmente muito aconselhada, porém cientificamente está comprovado que tem benefício pouco consistente.
Errada: a restrição de sódio tem benefício comprovado na redução da pressão arterial, especialmente em hipertensos e em casos resistentes.
- E)Hipercalemia espontânea ou induzida pelo uso de diuréticos é um indício de hipertensão arterial secundária.
Errada: hipercalemia não é um indício típico de hipertensão secundária; o achado clássico nessa linha é mais ligado a causas como hiperaldosteronismo, que tende a cursar com hipocalemia.
Gabarito: B
Hipertensão arterial resistente é aquela em que a pressão continua acima da meta mesmo com uso de 3 anti-hipertensivos de classes diferentes, em doses adequadas, e um deles deve ser preferencialmente um diurético. Na prática, a banca gosta dessa definição porque ela separa a hipertensão “difícil de controlar” da hipertensão apenas mal tratada por dose baixa, adesão ruim ou esquema incompleto. Na questão, a alternativa B trouxe exatamente essa ideia: PA acima do alvo, em geral 140 x 90 mmHg, apesar de três fármacos de classes distintas, incluindo diurético. Isso caracteriza hipertensão arterial resistente não controlada. A lógica clínica é simples: se o esquema já está bem montado e ainda assim a pressão não baixa, o caso merece investigação mais cuidadosa. As demais alternativas escorregam em pontos clássicos. Nem todo resistente tem aldosteronismo primário, embora ele seja uma causa importante a ser pesquisada. Também não dá para dizer que restrição de sódio tem benefício pouco consistente, porque ela costuma ajudar de forma relevante no controle pressórico. E monitorização da pressão não é mero detalhe de técnica: MAPA, MRPA e medidas seriadas têm papéis diferentes, inclusive para excluir efeito do avental branco e pseudo-resistência.