Em relação à neoplasia mamária na gestação, assinale a opção correta.
- A)O tratamento cirúrgico não é preconizado em nenhuma fase da gestação.
Errada, porque o tratamento cirúrgico pode ser realizado na gestação, com melhor planejamento e preferência por momentos mais seguros, como o segundo trimestre.
- B)A incidência de neoplasia de mama na gestação é semelhante à do período não gestacional.
Errada, porque a neoplasia mamária na gestação é rara e o tema não se resume a dizer que a incidência é igual à da mulher não gestante.
- C)Deve-se evitar qualquer tratamento durante o período gestacional.
Errada, porque não se deve evitar todo tratamento na gestação; o manejo precisa ser individualizado para proteger mãe e feto.
- D)A radioterapia está contraindicada durante a gestação.
Certa, porque a radioterapia é contraindicada na gestação pelo risco de dano fetal direto e indireto.
- E)Devido ao seu potencial deletério ao feto, a quimioterapia é contraindicada durante o período gestacional.
Errada, porque a quimioterapia não é absolutamente contraindicada em toda a gestação; em geral, evita-se o primeiro trimestre, mas pode ser usada em fases posteriores em casos selecionados.
Gabarito: D
A neoplasia mamária na gestação exige cuidado, mas não significa “mãos atadas”. O diagnóstico e o tratamento não devem ser adiados só porque a paciente está grávida, porque atraso piora o prognóstico materno. Em geral, a cirurgia pode ser feita durante a gestação, preferencialmente no segundo trimestre quando possível, e a quimioterapia pode ser considerada em situações selecionadas, sobretudo após o primeiro trimestre, porque o maior risco de malformações está na fase inicial da organogênese. O ponto-chave aqui é a radioterapia. Ela fica contraindicada na gestação porque a radiação pode atingir o feto e causar efeitos deletérios importantes, como malformações, restrição de crescimento e lesão em tecidos em desenvolvimento. Por isso, quando o tratamento oncológico exige radioterapia, costuma-se postergar para depois do parto sempre que for clinicamente seguro. A banca gosta de explorar esse equilíbrio entre tratar a mãe e proteger o feto. Em outras palavras: gestação não impede tratamento, mas muda a escolha terapêutica e o timing. O erro clássico é achar que tudo deve ser suspenso até o parto, o que não é verdade. Também não é correto dizer que toda quimioterapia é proibida na gestação, porque isso depende da fase gestacional e do esquema usado. Assim, o gabarito está na letra D porque a radioterapia é, de fato, contraindicada durante a gestação pelo risco fetal. Esse é o tipo de questão em que a palavra absoluta (“qualquer”, “nunca”, “sempre”) costuma denunciar a armadilha.