Em relação à leucemia promielocítica aguda (LPA), assinale a opção correta.
- A)A pesquisa de doença residual durante e após o tratamento deve ser realizada por citometria de fluxo.
Errada, porque a doença residual na LPA é melhor monitorada por PCR para PML-RARA, e não por citometria de fluxo.
- B)Como forma de prevenção ao óbito precoce antes do início do tratamento, indivíduos com suspeita de LPA devem ser internados e seu tratamento deve ser iniciado imediatamente, mesmo antes da confirmação diagnóstica.
Certa, porque a LPA é uma emergência e, na suspeita, deve haver internação e início imediato de ATRA para reduzir mortalidade precoce.
- C)O diagnóstico de LPA pode ser confirmado apenas com base em achados morfológicos característicos.
Errada, porque a morfologia sugere a LPA, mas a confirmação diagnóstica depende de citogenética e/ou biologia molecular.
- D)Em geral, pacientes com coagulopatia da LPA podem ser tratados apenas com ATRA, não havendo necessidade do uso de hemoderivados.
Errada, porque a coagulopatia da LPA exige suporte com hemoderivados, além do tratamento específico com ATRA.
- E)O uso de corticosteroides deve ser evitado no período do tratamento de indução, devido ao risco de infecções fúngicas invasivas.
Errada, porque corticosteroides podem ser necessários, sobretudo para prevenção e tratamento da síndrome de diferenciação.
Gabarito: B
A leucemia promielocítica aguda (LPA) é uma emergência hematológica. O ponto mais importante da prova é este: se houver suspeita clínica e laboratorial, voce não espera “fechar” tudo para começar a agir. O paciente deve ser internado e o tratamento com ATRA deve ser iniciado imediatamente, porque a doença pode matar cedo por hemorragia e coagulação intravascular disseminada, antes mesmo da confirmação definitiva. A lógica aqui é simples e cruel: na LPA, o risco imediato costuma ser o sangramento, não a falta de um laudo bonitinho. Por isso, a conduta precoce reduz mortalidade precoce. Além disso, o suporte com hemoderivados costuma ser parte central do cuidado, para corrigir coagulopatia e fibrinogênio baixo, enquanto o tratamento específico é iniciado. O diagnóstico não se apoia apenas na morfologia. Achados morfológicos podem levantar forte suspeita, mas a confirmação costuma envolver estudo citogenético e/ou molecular, especialmente a translocação t(15;17) com fusão PML-RARA. E para doença residual, o acompanhamento preferencial é por PCR para PML-RARA, não por citometria de fluxo, porque a técnica molecular é mais sensível para esse fim. Os corticosteroides, aliás, não são vilões automáticos aqui. Eles podem ser usados para prevenção e tratamento da síndrome de diferenciação, complicação clássica do uso de ATRA e arsenico. Então, na LPA, a banca gosta de testar se voce sabe que a pressa salva, o suporte hemostático importa e o ATRA entra cedo, mesmo antes da confirmação final.