Considerando que o envelhecimento saudável é definido pela OMS como “processo de desenvolvimento e manutenção da capacidade funcional que permite o bem-estar na idade avançada”, assinale a opção correta em relação aos aspectos biológicos e fisiológicos do envelhecimento.
- A)O processo de perda de capacidade biológica costuma começar somente a partir dos sessenta anos de idade, inclusive no que diz respeito à função renal e hepática.
Errada, porque a perda de reserva biológica começa antes e de forma variável, não apenas após os 60 anos, e a função renal e hepática já podem estar reduzidas mesmo sem doença.
- B)A diminuição da resposta imunológica é esperada no envelhecimento, razão por que é relevante o cumprimento da vacina contra tuberculose em idosos.
Errada, porque a queda da resposta imune no envelhecimento existe, mas a vacina BCG não é recomendação de rotina para idosos.
- C)A convivência com as dores é aspecto fisiológico do envelhecimento, devendo ser considerada normal.
Errada, porque dor não deve ser tratada como parte normal e inevitável do envelhecimento; ela exige investigação e manejo.
- D)Durante o processo de envelhecimento, o nível de albumina no sangue diminui, problema que pode ser corrigido com o uso de medicamentos como fenitoína e varfarina, que apresentam baixo risco de efeitos tóxicos.
Errada, porque a albumina tende a não ser simplesmente corrigida com esses medicamentos, e fenitoína e varfarina têm justamente risco relevante de toxicidade e interação.
- E)Mesmo em idosos saudáveis, a depuração de medicação no corpo pode ser comprometida devido à redução fisiológica das funções renal e hepática, devendo-se, sempre que possível, iniciar o tratamento medicamentoso com doses baixas e aumentá-las, gradativamente, conforme a necessidade.
Certa, porque idosos podem ter redução fisiológica da função renal e hepática, diminuindo a depuração de medicamentos, o que justifica iniciar com doses baixas e ajustar progressivamente.
Gabarito: E
O envelhecimento saudável não significa ausência de mudanças, e sim manutenção da funcionalidade com o menor impacto possível das alterações fisiológicas. Com a idade, vários sistemas perdem reserva funcional, mesmo em idosos sem doença aparente. Isso vale especialmente para rins e fígado, que tendem a reduzir a capacidade de metabolizar e eliminar medicamentos. Na prática, o corpo do idoso costuma “filtrar” e processar remédios de modo mais lento. Por isso, a conduta clássica é começar com doses menores e subir aos poucos, observando resposta e efeitos adversos. Essa lógica é muito usada em geriatria porque evita intoxicação e eventos indesejados, já que a mesma dose que funciona bem em um adulto jovem pode pesar no organismo idoso. A alternativa correta traduz exatamente esse raciocínio fisiológico. Mesmo em idosos saudáveis, a depuração medicamentosa pode ficar comprometida pela redução da função renal e hepática, então o princípio é iniciar baixo e titular devagar. Isso é coerente com a farmacologia do envelhecimento e com a boa prática clínica geriátrica. As demais opções misturam ideias verdadeiras com conclusões erradas ou exageradas. Envelhecer não torna dor algo “normal”, nem derruba albumina a ponto de recomendar medicamentos de alto risco como se fossem solução. E também não existe essa história de imunização contra tuberculose como regra geral para idosos. Em resumo: envelhecimento pede ajuste, não improviso.