É possível intensificar o efeito da acupuntura por meio da descarga de uma pequena corrente elétrica através das agulhas, técnica denominada eletroacupuntura. Em relação à eletroestimulação, assinale a opção correta.
- A)A eletroacupuntura é uma técnica bastante segura que pode ser utilizada sem restrições ou contraindicações, mesmo em gestantes, portadores de epilepsia e usuários de marca-passo.
Errada, porque eletroacupuntura não é isenta de contraindicações e exige cautela em gestantes, epilépticos e usuários de marca-passo.
- B)Para a resposta analgésica adequada, a estimulação elétrica deve ser realizada nas agulhas, uma vez que a eletroestimulação transcutânea não possui eficácia comprovada no tratamento da dor.
Errada, porque a estimulação transcutânea também tem eficácia no controle da dor e é amplamente utilizada.
- C)A eletroestimulação com corrente alternada de alta frequência (acima de 70 Hz) causa neuromodulação predominantemente segmentar, uma vez que induz a liberação de colecistocinina (CCK) na medula espinal, sendo útil no tratamento da dor.
Errada, porque alta frequência não é predominantemente segmentar por liberação de CCK na medula espinal; a afirmação mistura frequência, local de ação e mediadores.
- D)A intensidade da corrente elétrica deve ser a máxima possível para a melhor resposta terapêutica, mesmo que cause dor ou desconforto ao paciente.
Errada, porque a intensidade deve ser ajustada ao conforto e à tolerância do paciente, não ao ponto de causar dor ou desconforto importante.
- E)A eletroestimulação com corrente alternada de baixa frequência (2 a 4 Hz) é útil para modular a nocicepção a nível do sistema nervoso central, uma vez que induz a liberação de beta-endorfina no hipotálamo e de metaencefalina no tronco cerebral.
Certa, porque a baixa frequência (2 a 4 Hz) favorece modulação central da dor com liberação de beta-endorfina no hipotálamo e metencefalina no tronco cerebral.
Gabarito: E
A eletroestimulação na acupuntura aparece em duas “famílias” bem conhecidas: baixa frequência e alta frequência. Em prova, o que mais cai é a ideia de que a frequência muda o tipo de analgesia produzida, então não basta dizer “funciona”: a banca quer saber como funciona. Na baixa frequência, em torno de 2 a 4 Hz, há maior efeito sobre a modulação da dor em nível central, com liberação de beta-endorfina no hipotálamo e de metencefalina no tronco cerebral. Isso ajuda a reduzir a nocicepção por vias descendentes e é exatamente a lógica da alternativa E. Já a alta frequência costuma atuar mais de forma segmentar e envolve outros mediadores, como a dinorfina e, em alguns contextos, substâncias relacionadas à modulação espinal. Por isso, quando a alternativa mistura alta frequência com efeito central típico de baixa frequência, ela geralmente está embaralhando os conceitos. Na prática de prova, pense assim: baixa frequência, analgesia mais central e endorfinas; alta frequência, efeito mais segmentar. A alternativa E está correta porque descreve exatamente a associação clássica entre 2 a 4 Hz e a liberação de beta-endorfina e metencefalina.