No que se refere aos incidentalomas de adrenais, assinale a opção correta.
- A)A prevalência desses incidentalomas é maior em crianças com deficiência de ferro.
Errada: a prevalência de incidentaloma adrenal não tem relação com deficiência de ferro em crianças, e esse dado não faz parte da epidemiologia do tema.
- B)A abordagem clínica relacionada a esses incidentalomas exclui a avaliação de sinais de hipercortisolismo.
Errada: a investigação dos incidentalomas inclui justamente a pesquisa de hipercortisolismo, pois a lesão pode ser funcionante.
- C)O tamanho ≥ a 2 cm é critério para indicação cirúrgica.
Errada: tamanho maior ou igual a 2 cm isoladamente não é critério universal de cirurgia; a decisão depende de vários fatores clínicos, hormonais e de imagem.
- D)O avanço tecnológico e o desenvolvimento dos métodos de exames por imagem têm favorecido a detecção ao acaso desses incidentalomas.
Certa: o aumento da disponibilidade e da resolução dos exames de imagem favoreceu a descoberta incidental dessas lesões.
- E)Independentemente do tamanho do tumor no seguimento, todos os pacientes deverão ser encaminhados para o serviço de referência (endocrinologia).
Errada: o seguimento não exige, de forma absoluta e para todos os casos, encaminhamento permanente ao serviço de endocrinologia independentemente da evolução.
Gabarito: D
Incidentaloma de adrenal é aquele achado “de surpresa” em exame de imagem feito por outro motivo, geralmente TC ou RM. Ou seja, a lesão não foi procurada, apareceu no caminho. Com o uso cada vez maior desses exames, esses tumores incidentais têm sido detectados com mais frequência, especialmente em adultos, e a investigação costuma focar em duas perguntas: a massa produz hormônio em excesso? e há risco de malignidade? É por isso que a banca adora cobrar avaliação de hipercortisolismo, feocromocitoma e, em alguns casos, hiperaldosteronismo. A alternativa D está correta porque o próprio avanço tecnológico dos métodos de imagem aumentou a detecção acidental dessas lesões. É o clássico efeito colateral do progresso: você pede um exame para procurar outra coisa e encontra um incidentaloma no meio do caminho. Na prática, isso é bem descrito na doutrina endocrinológica e nos consensos de manejo de incidentalomas adrenais. As demais alternativas escorregam em pontos importantes. Não existe esse critério fixo de cirurgia apenas por ser maior ou igual a 2 cm; o raciocínio cirúrgico depende de tamanho, aspecto radiológico, crescimento e funcionalidade hormonal. Também não se exclui a avaliação clínica de hipercortisolismo, porque ela faz parte da investigação inicial. E nem todo mundo precisa ser encaminhado indefinidamente ao serviço de referência em qualquer seguimento, já que a conduta é individualizada conforme risco e achados hormonais e radiológicos.