O acompanhamento periódico da patência de fístula arteriovenosa é recomendado. Em caso de estenose relacionada à fístula arteriovenosa, a angioplastia
- A)está indicada apenas na presença de disfunção clínica sintomática ou com documentação de redução no KtV, tornando-se a hemodiálise inadequada.
Correta: a angioplastia é indicada quando a estenose causa disfunção clínica ou redução da adequação dialítica, como queda do Kt/V.
- B)não está indicada em nenhuma situação, já que sempre a confecção de nova fístula é mais adequada.
Errada: nem toda estenose exige nova fístula; a angioplastia é opção válida quando há repercussão funcional.
- C)está indicada apenas na presença de disfunção clínica sintomática, sendo a documentação de redução no KtV por estenose parâmetro inadequado para indicação.
Errada: a redução do Kt/V por estenose é, sim, um parâmetro útil para indicar intervenção.
- D)está indicada na presença de estenose assintomática documentada por ultrassonografia com doppler, de forma precoce, para reduzir a chance de complicações para o paciente.
Errada: estenose assintomática ao Doppler, por si só, não justifica angioplastia precoce de rotina.
- E)está indicada na presença de estenose venosa central assintomática documentada por flebografia, de forma precoce, para reduzir a chance de complicações para o paciente.
Errada: a simples estenose venosa central assintomática documentada por flebografia não indica intervenção precoce automática.
Gabarito: A
A fístula arteriovenosa é a melhor amiga da hemodiálise, mas ela também adora fazer estreiteza ao longo do caminho. Por isso, o acompanhamento da patência deve ser periódico, com exame clínico e, quando necessário, métodos como ultrassonografia com Doppler, sempre olhando se a fístula está funcionando bem na prática, e não só no papel. Na estenose relacionada à fístula, a angioplastia entra quando há repercussão funcional: sinais de disfunção clínica, dificuldade de punção, alterações no fluxo, recirculação, aumento de pressões na máquina ou redução da adequação dialítica, como queda do Kt/V. A lógica é simples: tratar a lesão que já está atrapalhando o acesso e a hemodiálise. O ponto-chave cobrado pelas bancas é que não se recomenda angioplastia preventiva de estenose assintomática apenas porque ela apareceu no exame. Em outras palavras, achou a estenose no Doppler, mas o acesso segue funcionando bem? Não é motivo automático para intervenção. O tratamento deve ser guiado por disfunção, não por ansiedade vascular. Assim, o gabarito A está correto porque descreve exatamente a indicação aceita: angioplastia quando a estenose já causa disfunção clínica ou documenta queda da eficácia da diálise, tornando o tratamento conservador insuficiente. Isso está alinhado com a prática nefrológica e com recomendações de diretrizes para manejo de acesso vascular em hemodiálise.