Uma paciente de 24 anos de idade, proveniente da zona rural, procurou um posto de saúde para investigação de cólicas abdominais hipogástricas e diarreia intermitente, sem sangue, com duas a quatro eliminações pastosas a semilíquidas ao dia, quadro surgido havia aproximadamente 1 mês, sem emagrecimento associado. Também referiu o surgimento, quase concomitante, de tosse seca e de um chiado noturno, que a paciente nunca havia apresentado anteriormente. O médico que a atendeu solicitou exame parasitológico de fezes, que revelou uma parasitose. Com base nesse caso clínico, assinale a opção que indica, respectivamente, parasitose que se enquadra corretamente como etiologia do quadro clínico descrito e seu tratamento.
- A)amebíase – metronidazol
Errada: amebíase pode causar diarreia, mas não costuma explicar tosse e chiado pelo ciclo pulmonar.
- B)giardíase – nitazoxanida
Errada: giardíase causa diarreia, distensão e má absorção, porém não justifica o quadro respiratório descrito.
- C)ascaridíase – tiabendazol
Errada: ascaridíase pode migrar pelos pulmões, mas o tratamento clássico não é tiabendazol nessa abordagem e o quadro clínico fica menos típico.
- D)esquistossomose – albendazol
Errada: esquistossomose pode dar sintomas intestinais, mas a associação com tosse/chiado e o tratamento indicado não batem com a descrição.
- E)estrongiloidíase – ivermectina
Certa: estrongiloidíase pode causar sintomas intestinais e respiratórios pela migração larvária, e o tratamento de escolha é ivermectina.
Gabarito: E
O quadro mistura intestino e pulmão, e isso já acende a luz amarela para helmintíase com ciclo pulmonar. Em paciente da zona rural, com dor abdominal, diarreia e surgimento de tosse seca e chiado, uma suspeita clássica é a estrongiloidíase, causada pelo Strongyloides stercoralis. Esse parasita pode atravessar a pele, migrar pela corrente sanguínea até os pulmões, subir pela árvore brônquica e depois ser deglutido, voltando ao intestino, o que explica bem os sintomas digestivos e respiratórios ao mesmo tempo. Como a paciente não tem emagrecimento importante nem diarreia sanguinolenta, o raciocínio fica ainda mais compatível com esse parasita, que costuma dar manifestações inespecíficas e pode parecer uma "gastroenterite teimosa" com um componente respiratório embutido. O tratamento de escolha é a ivermectina. Em provas, vale lembrar que a estrongiloidíase é o parasita que mais faz a banca juntar sintomas gastrointestinais com tosse/chiado, especialmente em paciente com exposição ambiental rural. Outro ponto importante: o diagnóstico pode vir no parasitológico de fezes, mas às vezes precisa de repetição, porque a eliminação de larvas pode ser irregular. Em termos práticos, a banca quer que você reconheça o padrão clínico da larva migratória pulmonar com fase intestinal. Metronidazol é para protozoários como amebíase e giardíase, albendazol é muito lembrado para vários helmintos, mas aqui o fármaco clássico cobrado é ivermectina. Então, quando aparecer intestino + pulmão + contexto rural, pense primeiro em estrongiloidíase antes de sair chutando "qualquer vermífugo".