Acerca das doenças glomerulares, assinale a opção correta.
- A)O aumento de transaminases é um achado comum no quadro de síndrome nefrótica.
Errada, porque aumento de transaminases não é achado comum da síndrome nefrótica, que se caracteriza principalmente por proteinúria, edema e hipoalbuminemia.
- B)A doença de Berger acomete principalmente o seguimento S2 do túbulo proximal.
Errada, porque a doença de Berger é a nefropatia por IgA e acomete o mesângio glomerular, não o seguimento S2 do túbulo proximal.
- C)A doença por lesão mínima é a principal na população pediátrica.
Certa, porque a doença de lesão mínima é a principal causa de síndrome nefrótica na população pediátrica.
- D)O uso de corticoterapia na hiperlipidemia consiste em segunda linha de tratamento, sendo indicada após falha com outros imunossupressores.
Errada, porque corticoterapia não é tratamento de segunda linha para hiperlipidemia; a conduta é focada na doença de base e, quando necessário, em medidas específicas para dislipidemia.
- E)As alterações histológicas da doença membranosa só são vistas por meio de microscopia eletrônica.
Errada, porque a doença membranosa não é vista apenas na microscopia eletrônica; ela também apresenta alterações na microscopia óptica e na imunofluorescência.
Gabarito: C
As doenças glomerulares costumam aparecer nas provas com cara de pegadinha, porque misturam clínica, histologia e tratamento. Aqui, o ponto central é lembrar qual é a glomerulopatia mais comum na infância: a doença de lesão mínima. Ela é a principal causa de síndrome nefrótica em crianças e costuma cursar com proteinúria importante, edema e boa resposta aos corticoides. É aquela doença que a banca adora colocar escondida no meio de alternativas sobre membrana, IgA e tratamento. A síndrome nefrótica, de forma clássica, vem com proteinúria maciça, hipoalbuminemia, edema e hiperlipidemia. Mas isso não significa que haja aumento de transaminases como achado comum, nem que qualquer tratamento use corticoterapia como segunda linha para lipídios. Cada glomerulopatia tem sua cara, e o segredo é não misturar o quadro renal com efeitos hepáticos ou condutas de outras doenças. Na doença de Berger, o nome correto é nefropatia por IgA, e o alvo é o mesângio glomerular, não o túbulo proximal. Já na doença membranosa, há achados em microscopia óptica, imunofluorescência e eletrônica, então não é exclusiva da microscopia eletrônica. Moral da história: em pediatria, a doença de lesão mínima reina, e é exatamente isso que torna a alternativa C correta.