A solicitação indiscriminada de exames é uma problemática para o Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que, além dos próprios gastos desnecessários relacionados a esses pedidos, muitos usuários ficam meses ou até anos em filas de regulação aguardando a marcação de exames. Tendo em vista esse contexto, assinale a opção que apresenta o caso clínico em que a solicitação do exame complementar é necessária para o diagnóstico, a classificação e, consequentemente, a melhor conduta terapêutica.
- A)Homem, 45 anos de idade, febre há 4 dias, tosse com expectoração amarelada. No exame: frequência respiratória (FR) = 29 ir/m; PA = 120 mmHg × 80 mmHg; estertores crepitantes em base pulmonar esquerda. Sem comorbidades. Solicitada radiografia de tórax AP e perfil.
Errada, porque o quadro sugere pneumonia não grave em paciente estável, e a radiografia pode até ajudar, mas não é o exemplo mais forte de exame indispensável para diagnóstico e classificação.
- B)Mulher, 25 anos de idade, febre alta há 4 dias, tosse com expectoração amarelada. No exame: frequência respiratória = 35 ir/m; PA = 85 mmHg × 55 mmHg. Estertores crepitantes em base pulmonar esquerda. Solicitada tomografia de tórax.
Errada, porque a hipótese é de pneumonia grave com instabilidade hemodinâmica, mas tomografia de tórax não é o exame complementar inicial necessário para definir conduta nesse cenário.
- C)Mulher, 53 anos de idade, assintomática, tabagista 20 anos-maço. No exame: ausculta normal; PA = 140 mmHg × 89 mmHg. Comorbidades: diabetes melito e hipertensão arterial sistêmica. Solicitada radiografia de tórax PA e perfil.
Errada, porque rastreamento com radiografia de tórax em assintomática tabagista não é recomendado de rotina e não serve para esse objetivo.
- D)Adolescente, 17 anos de idade, com dor de cabeça, tosse seca há 5 dias, sem febre. No exame físico: FR = 20 ir/m, SatO2 = 98%, murmúrio vesicular simétrico. Solicitada radiografia de tórax PA, perfil e oblíquo.
Errada, porque tosse seca há 5 dias, sem febre e com exame físico normal, não justifica radiografia de tórax para diagnóstico, classificação ou conduta.
- E)Homem, 70 anos de idade, com tosse há vários meses e dispneia aos médios esforços. Tabagista 20 anos-maço. No exame: frequência respiratória = 20 ir/m; PA = 129 mmHg × 77 mmHg. Murmúrio vesicular reduzido globalmente. Solicitada espirometria.
Certa, porque tosse crônica em tabagista com dispneia sugere DPOC, e a espirometria é o exame necessário para confirmar a obstrução e classificar a doença.
Gabarito: E
A lógica aqui é simples: nem todo paciente com tosse precisa de exame de imagem ou tomografia. Em Medicina Preventiva e na prática clínica do SUS, o ideal é pedir exame complementar quando ele realmente muda o diagnóstico, a classificação da doença ou a conduta. Exame demais só aumenta custo e fila, sem benefício real para o paciente. No caso da alternativa E, o quadro é de tosse há vários meses, dispneia aos médios esforços e tabagismo. Isso acende a suspeita de doença obstrutiva crônica, especialmente DPOC, e o exame que confirma obstrução ventilatória é a espirometria. Ela é fundamental para diagnóstico e classificação da gravidade, porque mostra redução do VEF1/FVC após broncodilatador e ajuda a orientar o tratamento. É exatamente aqui que a prova quer chegar: espirometria não é "exame por hábito", mas exame necessário quando há suspeita clínica de doença respiratória crônica. Sem ela, você fica só no achismo, e medicina não gosta de achismo, ainda mais em paciente tabagista com dispneia progressiva. Base doutrinária: em diretrizes para DPOC, a espirometria é exame obrigatório para confirmar obstrução persistente ao fluxo aéreo e graduar a doença. Já radiografia de tórax, em muitos cenários de tosse aguda sem gravidade, não é necessária de rotina.