Judith, com 65 anos de idade, procurou assistência médica com um ginecologista por sentir muito ressecamento vaginal desde que entrou na menopausa, aos cinquenta e nove anos de idade, o que tem limitado sua disponibilidade para relações sexuais. O médico prescreveu reposição hormonal combinada e contínua por via sistêmica. Acerca desse quadro clínico hipotético, considerando-se os riscos envolvidos, assinale a opção que apresenta a conduta adequada para a paciente em questão.
- A)reposição hormonal sistêmica cíclica
Errada, porque a terapia sistêmica cíclica não é a melhor escolha para sintoma vaginal isolado e ainda mantém os riscos da via sistêmica.
- B)reposição hormonal sistêmica apenas com estrogênio
Errada, porque estrogênio sistêmico isolado só seria indicado em situações específicas, e aqui a queixa é local, o que favorece tratamento vaginal.
- C)evitar o uso da reposição hormonal sistêmica e preferir o uso de estrogênio tópico
Certa, porque o ressecamento vaginal na menopausa responde melhor ao estrogênio tópico, com menor risco do que a terapia sistêmica.
- D)reposição hormonal combinada e contínua sistêmica por, no máximo, dez anos
Errada, porque não existe regra de segurança que permita terapia sistêmica combinada por até 10 anos como conduta padrão nesse contexto; além disso, o sintoma pede abordagem local.
- E)não fazer uso de nenhum tipo de tratamento hormonal, pois todos eles apresentam riscos altos para a saúde
Errada, porque nem todo tratamento hormonal tem risco alto em qualquer situação; o estrogênio tópico vaginal é opção segura e eficaz para sintomas locais.
Gabarito: C
A queixa da Judith é típica da síndrome geniturinária da menopausa: ressecamento vaginal, desconforto e impacto na vida sexual. Quando o problema é basicamente local, a melhor estratégia costuma ser tratar localmente, com estrogênio tópico vaginal, e não sair distribuindo hormônio sistêmico como se fosse solução universal. O corpo agradece, e o risco também diminui. Em mulher com 65 anos e mais de 5 anos de menopausa, a terapia hormonal sistêmica exige muito mais cautela, porque o balanço entre benefício e risco piora com o avanço da idade e com o tempo desde a menopausa. Em geral, iniciar ou manter terapia sistêmica nessa fase aumenta preocupação com eventos tromboembólicos, AVC e outros efeitos adversos, especialmente quando o sintoma é restrito ao trato geniturinário. Por isso, a conduta adequada é evitar a reposição hormonal sistêmica e preferir estrogênio tópico. O tratamento local melhora a atrofia vaginal com menor absorção sistêmica, sendo a opção mais segura para esse quadro. Diretrizes como as da NAMS e da FEBRASGO costumam reforçar essa lógica: sintoma local pede tratamento local. Em resumo: se a queixa é ressecamento vaginal isolado, não faz sentido expor a paciente a hormônio sistêmico combinado. A resposta certa é a que troca a solução "forte" pela abordagem mais direcionada e segura.